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Corrupção sob investigação: governadores contribuíram para o colapso do Rio

Crise de governança no Rio leva à renúncia de Castro, inelegibilidade e disputa sobre o substituto, em meio a instabilidade política

Moreira Franco, Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e Wilson Witzel: ex-governadores do Rio de Janeiro que tiveram suas trajetórias marcadas por investigações, disputas judiciais e diferentes desdobramentos na vida política do estado (Foto: ntonio Cruz (Moreira e Witzel), Renato Araújo (Garotinho), Walter Campanato (Cabral)/Agência Brasil)
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  • Em 23 de março de 2026, Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio e foi declarado inelegível por oito anos pelo TSE por abuso de poder.
  • O vice Thiago Pampolha já havia deixado o cargo para atuar no Tribunal de Contas do Estado; o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, foi preso e cassado por vazamento de informações sigilosas.
  • Sem político eleito disponível, o governo ficou com o desembargador Ricardo Couto, quinto na linha de sucessão, enquanto o STF decide se o substituto definitivo será escolhido pelo voto ou pela Assembleia.
  • O texto faz um recorte histórico: desde a redemocratização, apenas o governador Leonel Brizola terminou o mandato sem denúncias; os demais tiveram denúncias, investigações, cassações ou prisões.
  • Negrão de Lima, que governou Guanabara até 1971, é lembrado como o último a concluir o mandato sem investigações por corrupção.

Na crise sucessória de 2026, o Rio de Janeiro viveu uma disputa sem candidato disponível para assumir o governo após a renúncia de Cláudio Castro e a inelegibilidade dele por abuso de poder. O vice renunciou, o presidente da Assembleia foi cassado, e o estado ficou sem titular eleito, com o desembargador Ricardo Couto assumindo interinamente. STF e TSE discutem quem substitui definitivamente.

A história recente se mistura a uma trajetória de 55 anos desde a redemocratização, quando apenas um governador eleito terminou o mandato sem denúncias de corrupção. Entre 1983 e 2026, o Palácio Guanabara recebeu 13 ocupantes, com intervenientes em vários degraus do poder federal e estadual.

A cada mudança de governo, surgem gravações, investigações, prisões e cassações. Três vices — Nilo Batista, Benedita da Silva e Francisco Dornelles — assumiram temporariamente, enquanto a maioria enfrentou denúncias ou ações judiciais por corrupção, improbidade ou crimes conexos.

Panorama histórico desde a redemocratização

Brizola, o primeiro a governar pelo voto direto, deixou o poder sem condenações, mesmo com suspeitas sobre supostos pagamentos a autoridades. Já Moreira Franco, Marcello Alencar e outros enfrentaram processos ou investigações, alguns sem condenação definitiva.

Casos de destaque

Garotinho enfrentou a Operação Chequinho e a Caixa d’Água, com condenações administrativas e criminais ocorridas em etapas, e Rosinha Garotinho teve ações que foram anuladas em instâncias superiores. Sérgio Cabral acumulou condenações e acordos diversos, com danos pelos contratos estatais.

Pezão herdou o colapso fiscal, foi condenado em primeira instância, mas absolvido em recurso, e retomou a atuação política. Witzel enfrentou impeachment em 2020, com inelegibilidade de cinco anos, enquanto Castro, seu sucessor, terminou afastado pela Justiça por contratações públicas irregulares.

Cláudio Castro renunciou em 2024, por irregularidades detectadas em contratos sociais, com resistência de parte das investigações. Em 2026, o STF e o TSE discutem a forma de escolha do substituto definitivo, entre voto popular ou escolha pela Assembleia.

O que isso revela

A sequência de governos, denúncias e cassações aponta para uma linha histórica de fragilidade institucional no Rio. A fusão entre Guanabara e Rio de Janeiro, regimes políticos e crises fiscais contribuíram para o cenário atual, marcado por investigações persistentes.

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