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AGU autoriza corte de energia de placas solares para evitar apagão

AGU autoriza cortes de energia de microgeração distribuída para evitar apagão reverso, com consulta pública em andamento

Fazenda de energia solar instalada em Porto Feliz, no interior de SP
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  • A Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu parecer favorável para que a Aneel autorize cortes da energia injetada por placas solares na rede, quando houver risco de sobrecarga, para evitar apagões.
  • O regime gerado por excesso de energia de fontes intermitentes pode provocar os chamados apagões reversos, apagões causados pela superoferta de energia eólica ou solar.
  • A AGU informou à diretora da Aneel, e duas consultas públicas foram abertas, com a principal encerrando-se nesta segunda-feira (15) para discutir frear a expansão das fontes distribuídas.
  • Hoje, cerca de 18% da matriz elétrica nacional é de micro geração distribuída, com participação maior nos últimos anos; a projeção de contornar desequilíbrios inclui cortes na geração de sistemas de micro e minigeração distribuída (MMGD).
  • Enquanto a ideia de cortar a geração de placas solares ainda depende de lei para cortar créditos (compensação na conta de luz), a AGU aponta que não há óbice legal para o corte físico, mas sugere regimento separado e consulta pública para aspectos contábeis.

O Ministério de Minas e Energia e a Aneel obtiveram apoio da AGU para a possibilidade de cortes na energia injetada por microgeração distribuída, com o objetivo de evitar apagões. A medida permitiria que as distribuidoras atuem para conter a sobrecarga no sistema quando houver risco de desequilíbrio, especialmente em cenários de excesso de geração solar ou eólica.

A Advocacia-Geral da União emitiu parecer favorável à autorização para cortes da energia injetada na rede por residências, empresas e fazendas solares, sempre que houver risco de sobrecarga. A resposta foi endereçada à diretora da Aneel, Agnes Costa, e resultou na abertura de duas consultas públicas.

Nessas consultas, a principal foca em formas de frear a expansão de geração intermitente que tem ajudado a elevar a participação de fontes como solar e eólica na matriz. O prazo da primeira consulta encerra nesta segunda-feira, 15, com objetivo de coletar propostas sobre como conter o crescimento da fonte que já superou a barreira de 18% da matriz instalada, segundo a EPE.

Contexto e próximos passos

O ponto crítico é a sobrecarga no Sistema Interligado Nacional (SIN) causada pela intermitência da geração solar e eólica. Quando a oferta excede a demanda, dispositivos de proteção podem desligar a energia para evitar danos, configurando o chamado apagão reverso.

Dados apontam que, no ano passado, houve dois episódios de risco nesses mesmos moldes no Sudeste, em feriados. A alta expansão da microgeração vem de subsídios a produtores e à aquisição de placas solares, além de descontos na conta para quem integra uma fazenda solar ao sistema.

Para evitar pane na rede, inicialmente cogitou-se impor cortes diretos na geração, mas distribuidores enfatizam limitações técnicas para realizar esse controle remoto. O OPS (Operador Nacional do Sistema) já ordena desligamentos de hidrelétricas, PCHs e, mais recentemente, parques eólicos conectados ao SIN, quando necessário, para manter a estabilidade.

A pressão por medidas de ajuste também envolve impactos comerciais: interrupções entre geradores contratados podem gerar desequilíbrios no mercado e prejuízos para as comercializadoras. A ideia que tem ganhado força, porém, concentra-se na MMGD — micro e minigeração distribuída — responsável pela maior parte da geração intermitente.

Para lidar com os impactos financeiros, cogita-se, entre opções, o corte contábil de créditos de energia recebidos por quem injeta excedente na rede, especialmente em horários de maior demanda (rampa) entre 16h e 20h. A AGU, no entanto, afirma que o corte contábil não encontra base legal clara e defende que mudanças nesse sentido dependem de lei específica.

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