- A Quaest aponta queda de apoio a Flávio Bolsonaro entre evangélicos, de 61% para 52%, na última coleta.
- Motivos incluem boatos sobre relação com Daniel Vorcaro e a suposta ligação com uma política de orgias, além do silêncio das lideranças evangélicas.
- O escândalo envolvendo o Banco Master expôs uma denominação ligada aos Bolsonaros e alimenta boatos que circulam em igrejas.
- Entre os favoritos entre evangélicos, Lula sobe de 24% para 31% e Renan Santos, do Missão, cresce; Zema mantém 48% e Caiado fica estável em 49%.
- Em cenário de segundo turno hipotético com Lula, o apoio evangélico a ele sobe de 40% para 43%; muitos pastores ainda não declararam apoio a Flávio.
Evangélicos passam a questionar a candidatura de Flávio Bolsonaro após quedas em pesquisas e escândalos envolvendo o clã. Segundo a Quaest, o apoio desse segmento ao pré-candidato da direita caiu de 61% para 52% na última leitura. A percepção de Flávio como crente de fachada é citada por várias lideranças.
A migração do eleitorado evangélico se aproxima de novos cenários. Directivas de apoio a Tarcísio e Michelle foram substituídas pela dúvida em relação ao escolhido do bolsonarismo, após episódios envolvendo o casal e o ex-banqueiro. A circulação de boatos em círculos religiosos agrava o constrangimento público em torno de Flávio.
Mudança de narrativa e denúncias
A crise é associada ao caso envolvendo Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, cujo pagamento permanece em debate. A relação entre Vorcaro e Flávio é contestada, gerando desconfiança entre fiéis que acompanharam as denúncias. O episódio também reacende discussões sobre a transparência financeira.
O Banco Master entra como pano de fundo de uma denominação ligada aos Bolsonaros. Vorcaro contava com Fabiano Zettel, advogado e cunhado de Vorcaro, pastor da Lagoinha, o que amplia a complexidade das ligações entre religião e política. Boatos circulam entre fiéis sobre a presença de Flávio em eventos com Vorcaro.
Impacto entre lideranças e o ambiente de igreja
Pastores ouvidos pela reportagem indicam desencanto silencioso com o bolsonarismo entre evangélicos. Em contraste, houve silêncio das lideranças nacionais que poderiam frear a sangria, mantendo-se sem posicionamento claro. A ausência de definição é interpretada como tentativa de manter o apoio ao público da direita.
Entre as opções, Lula e Renan Santos aparecem como os nomes que mostraram crescimento no segmento. Lula subiu de 24% para 31% entre evangelicos, ainda com alta rejeição, enquanto Renan, presidente do MBL, avançou de 0 para 7% na leitura específica. Renan cresce também em cenários de segundo turno.
Cenário atual e quem se mantém em jogo
No segundo turno hipotético, o apoio a Lula entre evangélicos sobe de 40% para 43%. Zema permanece com 48% e Caiado fica estável, em 49%. Renan aparece como o único entre os candidatos de direita a avançar nesse grupo de eleitores.
Muitos pastores ainda não anunciaram apoio formal a Flávio. Ao mesmo tempo, nenhum pré-candidato adotou a estratégia de associar-se explicitamente às comunidades evangélicas como ocorreu no passado com Jair Bolsonaro. A leitura comum é a de que o movimento é estratégico, ainda sem consenso claro.
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