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Mudanças climáticas desafiam sistemas de saúde e políticas públicas

Especialistas discutem adaptação climática das redes de saúde no ESG Summit; formação, governança e políticas públicas são essenciais para enfrentar eventos extremos

Apesar dos avanços recentes, os especialistas ressaltaram que a adaptação das redes de saúde aos efeitos das mudanças climáticas ainda está em construção
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  • Eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor, queimadas e enchentes, desafiam a saúde e exigem adaptação climática nas redes de atendimento.
  • No ESG Summit, a diretora do Instituto Ar afirmou que a saúde deve ser transversal, influenciando infraestrutura, transporte, planejamento urbano e políticas sociais.
  • O Plano de Ação em Saúde de Belém, apresentado na COP trenta, defende fortalecer sistemas de saúde e ampliar a resposta a impactos, especialmente para populações vulneráveis.
  • As Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina (2025) e Enfermagem (2026) passaram a incorporar o conceito de saúde planetária, conectando saúde, clima, sustentabilidade e vulnerabilidades sociais.
  • A Beneficência Portuguesa criou uma matriz de risco climático para até 2100 e a Coalizão Cardio avalia como calor e poluição afetam pacientes cardiovasculares, visando governança e educação contínua.

Aumentam os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde, e especialistas discutem a necessidade de preparar profissionais e hospitais para eventos extremos. O ESG Summit, promovido pela Exame, em São Paulo, reuniu pesquisadores e gestores para debater adaptação climática no setor.

O debate reuniu Evangeline Araujo, diretora do Instituto Ar, Arlindo Gonzaga, da Afya, e Daniele Beiriz Machado, da Beneficência Portuguesa. O objetivo foi mostrar que saúde não pode ser tratada de forma isolada e que decisões setoriais devem levar em conta impactos climáticos.

Secas, ondas de calor, queimadas e enchentes desafiam infraestrutura, serviços e profissionais de saúde. Hospitais e unidades básicas precisam incorporar a adaptação climática às estratégias de prevenção e atendimento, apontam especialistas.

Saúde planetária na grade curricular

Em 2025, as Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina passaram a incorporar o conceito de saúde planetária, seguido, em 2026, pela Enfermagem. O objetivo é incluir sustentabilidade, clima e vulnerabilidades sociais na formação dos profissionais.

Para Arlindo Gonzaga, a formação deve considerar que a saúde está ligada ao ambiente em que as pessoas vivem. Ele reforça que, no Brasil, os currículos precisam combinar uma base comum com adequações regionais, reconhecendo que diferentes locais apresentam realidades distintas.

A atuação também exige que hospitais considerem questões climáticas no planejamento de longo prazo. A Beneficência Portuguesa explicou ter desenvolvido uma matriz de risco climático capaz de projetar efeitos ambientais no funcionamento do pronto-socorro até 2100, ajudando a preparar respostas a secas e calor extremos.

A Coalizão Cardio, criada para o rastreamento de Condições Crônicas Não Transmissíveis, passou a avaliar como calor e poluição podem agravar riscos de pacientes cardiovasculares. A ideia é revisar processos e fortalecer ações de governança e educação permanente dos funcionários.

Da formação às políticas públicas

Apesar das mudanças, a adaptação das redes de saúde permanece em construção. O desafio envolve atualizar protocolos, ampliar ações preventivas e ampliar a capacidade de resposta a eventos extremos, com atuação articulada entre governos, sociedade civil e setor privado.

Profissionais de saúde continuam adotando medidas de prevenção e orientação para pacientes diante de riscos crescentes, como ondas de calor, incêndios e poluição. O foco é ampliar a resiliência dos sistemas de saúde por meio de políticas públicas mais robustas.

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