- Famílias na Hungria receberam empréstimos e subsídios para ter filhos, com cláusulas de reembolso caso não haja uma segunda criança até 1 de novembro.
- Barbara Elek e o marido Levi passaram por várias rodadas de fertilização in vitro e aguardam confirmação da gravidez; a dívida pode chegar a juros de penalidade se não houver filho.
- Em 2010, o governo de Viktor Orbán implementou políticas pronatalistas massivas, incluindo empréstimos sem juros e subsídios habitacionais, voltados a casais casados heterossexuais no mercado formal de trabalho.
- A taxa de fertilidade na Hungria subiu de 1,25 em 2010 para 1,59 em 2020, mas especialistas divergem sobre o impacto real, apontando efeitos limitados e variações entre cidades e áreas rurais.
- Analistas destacam que fatores além do dinheiro, como serviços de saúde, educação e políticas de cuidado infantil, influenciam a decisão de ter filhos, e que mudanças culturais podem ter efeito maior a longo prazo.
Barbara Elek, em Debrecen, na Hungria, aguarda em casa pela confirmação de gravidez após o terceiro ciclo de fertilização in vitro. O resultado chega por email, enquanto o casal avalia o que fazer caso não haja bebê.
Odinário para financiar dois filhos, o casal fez um empréstimo de 10 milhões de forints com promessa de ter dois filhos, além de subsídios para moradia. Se não comprovarem uma gravidez até 1º de novembro, podem ter de pagar juros de penalidade.
As regras foram criadas pelo governo anterior e previam devolver parte do dinheiro caso a família não cumprisse a condição. O casal enfrenta ainda dificuldades com inflação, o que reduziu o valor real dos benefícios.
Contexto: políticas pró-natal
Em 2010, Viktor Orbán lançou políticas pró-natal, com empréstimos sem juros, vantagens fiscais e subsídios para jovens casais que prometeram ter filhos. Os incentivos eram restritos a casamentos heterossexuais formais e ao mercado de trabalho tradicional.
A taxa de fertilidade da Hungria subiu de 1,25 em 2010 para 1,59 em 2020, mas a tendência não foi uniforme. Estudos sugerem que os benefícios foram mais eficazes para famílias de renda média no interior, com menor impacto nas cidades.
Perspectivas e debates
Especialistas divergem sobre a eficácia das medidas. Alguns veem ganho temporário de nascimentos; outros apontam que mudanças institucionais e serviços públicos são mais determinantes. Aumento da inflação e falta de apoio na saúde e educação aparecem como entraves.
Pesquisadores destacam ainda que transformações culturais podem ter papel relevante. Em cenários como a Hungria, políticas públicas devem combinar incentivos com melhoria de serviços para ter efeito sustentado.
Barbara e Levi refletem que, além de dinheiro, o acesso a serviços essenciais também pesa na decisão de ter filhos, incluindo saúde, educação e transporte. O casal continua esperando pelo resultado do IVF antes de planejar o futuro.
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