- A lista de usos de IA do governo dos Estados Unidos aumentou 70% desde o fim da gestão de Biden, com 3.611 casos ativos ou planejados divulgados pelo Escritório de Gestão e Orçamento (OMB).
- Os itens abrangem funções sensíveis, incluindo planos de automatizar decisões que envolvem liberdade individual, saúde pública e segurança nuclear.
- Exemplos citados: uso de IA pela Administração de Serviços de Saúde para revisar pedidos de subvenção, avaliação de risco de conduta de presos pela Agência Federal de Prisões e monitoramento de ligações na linha de crise de veteranos pelo Departamento de Assuntos de Veteranos.
- A divulgação é limitada, com pouca contextualização ou detalhes práticos, e apenas um caso prevê participação pública. Muitos casos são rotulados como “alto impacto” de forma inconsistível entre agências.
- Observa-se possível benefício da IA em governança, mas há preocupação pública que exige transparência, consulta e avaliação de impactos algorítmicos; modelos de consulta pública adotados em países como Canadá e França são citados como referência.
A utilização de IA pelo governo dos EUA cresce de forma acentuada, aumentando em 70% desde o fim do governo Biden. Atualmente, o órgão de Orçamento e Gestão (OMB) listou 3.611 casos ativos ou previstos de uso de IA em órgãos federais, com planos de automatizar funções sensíveis do governo. A ampliação ocorre apesar de lacunas de contexto e de consulta pública.
Entre os exemplos, destaca-se a contratação de uma empresa de IA associada a trabalhos para militares, CIA e ICE para varrer pedidos de subsídio e identificar incompatibilidade com diretrizes administrativas. Em outra frente, a Justiça avalia a conduta de novos detentos por meio de IA, com encaminhamentos a setores de alta segurança.
Para além dessas frentes, há investimentos em IA para decisões de saúde pública, como uma ferramenta que pode monitorar chamadas da linha de crise de veteranos e cruzar informações com bases externas para avaliar risco suicida. Também há testes para controle autônomo de reatores nucleares e incidentes de segurança.
Falta de transparência e participação pública
O inventário de IA de 2025 traz descrições curtas e pouco contexto, dificultando entender propósitos e métodos. A divulgação não costuma incluir consulta pública, exceto em um único caso (DoJ). Países como França e Canadá já avançaram em regras de transparência e participação.
Na França, a legislação de 2016 exige que algoritmos usados em decisões administrativas sejam passíveis de pedidos de registros, revisão humana e notificação aos afetados. O Canadá criou um registro de usos de IA e diretrizes de avaliação de impacto, com consulta pública obrigatória.
Especialistas defendem que IA pode ampliar eficiência governamental, desde que haja avaliação de riscos, transparência e participação social. A recomendação é adotar procedimentos de avaliação de impacto algorítmico e consultas públicas para usos sensíveis, tanto em nível federal quanto estadual.
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