- Partidos do Centrão avaliam liberar filiados para apoiar candidatos nos estados, sem aliança nacional formal; decisões devem sair entre julho e agosto, nas convenções.
- Lula busca ampliar capilaridade com MDB, que pela maioria dos dirigentes avalia manter neutralidade em 2026.
- Flávio Bolsonaro tentava aproximação com União Brasil e PP, mas o caso Master e investigações geraram desgaste e resistência à federação União Progressista.
- Mudança de discurso de Flávio sobre Ciro Nogueira fortalece o veto a uma aliança formal com o PL; PP e União Brasil devem avaliar apoio individual de seus filiados.
- Fundo eleitoral para Centrão soma mais de R$ 772 milhões, com União Brasil, PSD, PP, MDB, Republicanos e Podemos recebendo recursos, mas definição de apoio depende das convenções.
A menos de quatro meses das eleições, os partidos do Centrão sinalizam neutralidade na disputa presidencial, mantendo a possibilidade de liberar filiados para apoiar candidatos locais. As siglas pretendem não formalizar alianças nacionais já, com decisões previstas entre julho e agosto, nas convenções.
O bloco, formado por União Brasil, PP, Republicanos, MDB, Podemos e PSD, controla grande parte do tempo de TV e do fundo eleitoral, motivo pelo qual as articulações ganham prioridade. Lula buscava ampliar a capilaridade com MDB, enquanto Flávio Bolsonaro tentava aproximação com PP e União Brasil.
Cenário no Centrão
A aproximação entre União Brasil e PP com Flávio recuou após o caso Master. O objetivo da federação União Progressista era consolidar apoio a Flávio, mas o avanço de investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro gerou resistência interna. Ciro Nogueira passou a criticar publicamente a parceria.
Dirigentes do PP relatam insatisfação com a atuação de Flávio diante das tratativas e dos diálogos tornados públicos com Vorcaro. A relação entre o senador e o líder do PP passou a enfrentar questionamentos sobre apoio formal a candidatura de Flávio.
Entre as consequências, cresce a perspectiva de vetar apoio formal à candidatura de Flávio dentro do PP, o que dificultaria a adesão à federação União Progressista para a campanha do PL. Flávio afirmou que as informações da imprensa exigem apuração rigorosa, mantendo confiança no STF.
União e PP
No União Brasil, a avaliação é de que é improvável alinhar-se a Flávio Bolsonaro neste momento. A cúpula da federação aponta que a prioridade atual é liberar os filiados para apoiar candidaturas locais, sem compromisso nacional. Juntas, as siglas somam mais de R$ 772 milhões do fundo eleitoral para 2026, visando disputas proporcionais.
Relatos indicam que há resistência interna a uma aliança com o pré-candidato do PL, reforçada pela percepção de que o entorno de Flávio pode testar nomes considerados radicais para a vice-presidência, como a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).
Republicanos também deve liberar filiados
O Republicanos, que integrou a coligação de 2022 com Jair Bolsonaro, também tende a não apoiar candidatura presidencial em 2026. A direção da sigla trabalha com a perspectiva de liberação individual de filiados, sem adesão a uma chapa única.
O presidente nacional Marcos Pereira informou a aliados que o partido não participará de uma candidatura presidencial este ano, reforçando a estratégia de posicionamento autônomo de seus filiados. A definição oficial deve ocorrer apenas durante as convenções.
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