- Observatório Softex lançou o artigo “Segurança Cibernética como Política de Estado” para discutir transformar proteção digital em soberania, resiliência institucional e competitividade econômica.
- O país passa a considerar a cibersegurança como política de Estado após a publicação da Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) pelo Decreto nº 12.573/2025.
- Hoje, mais de 161 milhões de brasileiros usam a internet e o Brasil tem cerca de 480 milhões de dispositivos em uso, sustentando serviços públicos, transações financeiras e economia.
- Em 2025, a América Latina registrou o maior crescimento global de ataques cibernéticos; o Brasil figura como alvo e origem de ataques DDoS, impulsionados por dispositivos vulneráveis.
- Entre as recomendações estão: implementação do Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026-2027), fortalecimento do centro CISC gov.br, criação de linha de base de maturidade cibernética, e, a longo prazo, construção de uma política de soberania tecnológica e criptografia pós‑quântica.
O Observatório Softex lançou o artigo Segurança Cibernética como Política de Estado: Como o Brasil Pode Transformar Proteção em Vantagem Estratégica, na série Observando. O texto analisa a evolução da cibersegurança na agenda pública e propõe caminhos para ampliar soberania, resiliência institucional e competitividade econômica.
O estudo destaca o novo arcabouço regulatório, com a Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber) instituída pelo Decreto nº 12.573/2025. A cibersegurança deixou de ser tema técnico para ocupar posição estratégica na gestão de infraestruturas críticas e na confiança digital.
O material aponta ainda que a digitalização acelerada aumenta a exposição a ameaças. Hoje mais de 161 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais usam a internet, e o parque de computadores e smartphones chega a 480 milhões. Serviços públicos, pagamentos, comunicação e mobilidade dependem de ambientes digitais.
Contexto regulatório e cenário internacional
O artigo analisa a convergência entre regulação, coordenação institucional e estratégia econômica. O país busca transformar proteção digital em ferramenta de soberania e competitividade, frente a um cenário de maior centralidade das infraestruturas digitais.
O conteúdo ressalta que o ambiente internacional de ameaças se tornou mais sofisticado com IA, geopolítica fragmentada e cadeias digitais complexas. Dados do Fórum Econômico Mundial indicam que IA é o principal vetor de transformação da cibersegurança, segundo 94% dos especialistas ouvidos, e 87% apontam vulnerabilidades tecnológicas como risco de maior crescimento em 2025.
Brasil no centro da pressão cibernética global
Em 2025, a América Latina teve o maior crescimento global de ataques cibernéticos, com média acima de 3 mil incidentes por organização, segundo o material. O Brasil passou a figurar tanto como alvo de crimes digitais quanto como origem de ataques DDoS, impulsionados por dispositivos vulneráveis em redes automatizadas.
Casos recentes envolvendo serviços públicos, como ConecteSUS, Siafi e vazamentos ligados ao INSS, são citados para ilustrar impactos da fragilidade cibernética na continuidade de políticas públicas e na confiança institucional.
Para os especialistas, o desafio é converter o arcabouço regulatório em capacidade institucional efetiva, com coordenação nacional, formação de talentos e fortalecimento de infraestrutura crítica, reduzindo dependência externa.
Recomendações para transformar proteção em política de Estado
O texto apresenta ações de curto, médio e longo prazo para elevar a maturidade cibernética do país, com foco em transformar diretrizes em capacidade operacional e coordenação federativa.
Entre as medidas de curto prazo estão a operacionalização plena do Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026-2027), o fortalecimento do CISC gov.br como centro de coordenação de incidentes e a criação de uma linha de base nacional de maturidade cibernética para órgãos públicos e setores estratégicos. Também é ressaltada a necessidade de ampliar a formação de profissionais especializados.
No médio prazo, o material recomenda a criação de uma autoridade nacional de cibersegurança com mandato transversal, capaz de coordenar ações entre União, estados, reguladores e setores críticos. Também propõe padrões mínimos de resiliência para infraestruturas essenciais, exercícios nacionais de crise cibernética e mecanismos de compartilhamento de inteligência entre governo, sistema financeiro, academia e setor privado.
No longo prazo, o Observatório defende avançar para uma política de soberania tecnológica aplicada à cibersegurança, reduzindo depender de fornecedores externos em software, hardware e nuvem. O texto ainda aponta para preparação diante de criptografia pós-quântica e dos impactos da IA na proteção de dados e infraestrutura nacional.
Conclui que consolidar a cibersegurança como política de Estado será decisivo para a confiança digital, a continuidade de serviços essenciais, a proteção econômica e a autonomia tecnológica em meio a disputas geopolíticas e à centralidade das infraestruturas digitais.
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