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Ex-ministro de Bolsonaro recebeu R$ 11 milhões do Grupo Master, segundo site

Ex-ministro Ronaldo Bento recebeu R$ 11 milhões do Banco Master e empresas do grupo Vorcaro após deixar o governo, segundo documentos da Receita para a CPI

O ministro da Cidadania, Ronaldo Vieira Bento, fala sobre Auxílio Brasil e Outubro Rosa, durante coletiva de imprensa, na sede do banco, em Brasília - José Cruz/Agência Brasil
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  • O ex-ministro da Cidadania Ronaldo Vieira Bento teria recebido R$ 11 milhões do Banco Master e de empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro após deixar o governo.
  • Os pagamentos ocorreram ao longo de dois anos, indo para Bento como pessoa física e para empresas em que ele era sócio ou administrador.
  • A maior parte foi para a Meta Consultoria, empresa criada em junho de 2023, que recebeu cerca de R$ 6,2 milhões em 2025; Bento recebeu R$ 773,3 mil diretamente.
  • A assessoria de Bento afirmou que os valores correspondem à remuneração por serviços prestados e que tudo foi declarado ao fisco.
  • Além disso, a Mettacard Administradora de Cartões recebeu R$ 2,98 milhões do Banco Master enquanto Bento era administrador; autoridades já suspenderam descontos de cartões consignados ligados a Mettacard no Paraná por suspeitas de irregularidades.

O ex-ministro da Cidadania Ronaldo Vieira Bento é acusado de ter recebido cerca de 11 milhões de reais do Banco Master e de empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro após deixar o governo de Jair Bolsonaro. Os repasses aparecem em documentos fiscais enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Senado e foram analisados pelo Intercept Brasil.

Segundo as informações apuradas, os pagamentos ocorreram ao longo de dois anos e envolveram tanto transfers diretas a Bento quanto recursos destinados a empresas das quais ele era sócio ou administrador. A maior parcela foi para a Meta Consultoria, criada em 2023, da qual Bento é sócio, totalizando aproximadamente 6,2 milhões de reais em 2025.

Ao todo, foram repassados cerca de 11 milhões de reais, com mais de 773 mil reais pagos diretamente ao ex-ministro como pessoa física. A assessoria de Bento afirmou que os valores correspondem à remuneração por serviços efetivamente prestados e que tudo foi declarado à Receita.

Histórico no governo e vínculos com o grupo

Bento atuou no Ministério da Cidadania de março a dezembro de 2022, quando participou da regulamentação do empréstimo consignado para beneficiários do Auxílio Brasil. Após deixar o cargo, passou a integrar empresas associadas ao grupo financeiro ligado a Vorcaro.

Entre as companhias, destacam-se o Banco Pleno, onde Bento atuou como diretor-presidente, e a Mettacard Administradora de Cartões, que operava crédito consignado para servidores públicos, aposentados e pensionistas. A Mettacard teria recebido cerca de 3 milhões de reais do Banco Master durante o período em que Bento era administrador.

A atuação da Mettacard chamou a atenção de órgãos públicos e entidades sindicais, devido a convênios com prefeituras e instituições de previdência para descontos em folha. Em novembro do ano passado, o governo do Paraná suspendeu novos descontos vinculados aos cartões da Mettacard e da Credcesta, citando irregularidades.

Debate sobre consignado e desdobramentos

O crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, autorizado em 2022, foi defendido pelo então ministro como ferramenta de redução da pobreza. Em agosto de 2023, uma auditoria da Controladoria-Geral da União apontou 8,4 milhões de reais em descontos considerados indevidos em contratos com a Caixa.

A oposição criticou a medida, afirmando que ajudou no endividamento de famílias de baixa renda durante o período eleitoral de 2022. Requerimentos para ouvir Bento em comissões do Congresso não avançaram, segundo o Intercept, com arquivamentos ou perda de força sem depoimento do ex-ministro.

Contexto das investigações atuais

As revelações ocorrem em meio ao avanço das apurações sobre o grupo de Vorcaro, alvo de várias fases da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes, monitoramento ilegal de pessoas e uso indevido de estruturas empresariais. O material analisado tem relação com pagamentos envolvendo Bento, empresas do grupo e o Banco Master.

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