- Segund a Turma do Supremo Tribunal Federal julga recurso sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro e Henrique Moura Vorcaro, primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro, divergindo sobre a manutenção da prisão.
- O relator, ministro André Mendonça, defendia a prisão dos parentes; Gilmar Mendes pediu vistas do processo em maio, mantendo as prisões até a manifestação final.
- Gilmar Mendes pediu a transferência do pai para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e a liberação do primo.
- Mendonça destacou indícios de conduta violenta do grupo ligado a Vorcaro e afirmou que o caso não é Lava Jato, comparando a atuação a uma máfia que incluía ameaças.
- A PF aponta que Felipe integra o núcleo financeiro-operacional do grupo; Henrique coordenava o grupo “A Turma” para intimidar adversários; o Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, segundo o Coaf, com indícios de ocultação de patrimônio.
A Segunda Turma do STF divergiu nesta terça-feira, 16, sobre a manutenção da prisão de Felipe Cançado Vorcaro e Henrique Moura Vorcaro, primo e pai do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os ministros analisaram pedido de prisão domiciliar para os dois investigados, ligados à Operação Compliance Zero. O relator André Mendonça defendia a prisão dos familiares do banqueiro, apoiando medidas cautelares.
Gilmar Mendes pediu vistas em maio, alegando não ter acesso integral aos autos, o que manteve a prisão até então. Ao retomar o julgamento nesta terça, ele sugeriu a transferência do pai de Vorcaro para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e a liberdade do primo, sob razões distintas.
A discussão envolve o núcleo financeiro-operacional relacionado ao grupo que cerca o banqueiro, segundo a Polícia Federal. Felipe é apontado como integrante do núcleo e Henrique, que coordenava o grupo conhecido como “A Turma”, é apontado como responsável por ações para intimidar adversários. A PF afirma que as atividades persistiram após a deflagração da força-tarefa.
Pontos-chave do julgamento
Mendonça ressaltou indícios de condutas violentas do grupo e destacou que a prisão não deve ser associada a Lava Jato. O ministro afirmou que a prisão preventiva pode ter efeito de pressionar acordos de delação, o que, segundo ele, comprometeria a voluntariedade da colaboração.
Gilmar Mendes enfatizou direitos dos investigados e criticou eventuais pressões que possam impactar eventuais acordos. Ele avaliou que os direitos dos Vorcaro não podem ser violados apenas pela esfera processual, mesmo diante de acusações.
O pai de Vorcaro era presidente da Multipar, empresa que, entre 2020 e 2025, movimentou mais de 1 bilhão de reais em contas vinculadas ao banqueiro, segundo o Coaf. As operações são interpretadas pela autoridade como indicativo de ocultação de patrimônio.
Entre na conversa da comunidade