- A Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro mandou R$ 350 mil em dinheiro vivo a Ciro Nogueira, transportado em sacola numa aeronave particular que saiu de São Paulo com destino a Brasília.
- Relatórios com sigilo retirado pelo ministro André Mendonça indicam evidências que fortalecem a suspeita de corrupção entre Vorcaro e o senador.
- O episódio teve início em 6 de agosto de 2024, quando Fabiano Zettel — operador financeiro de Vorcaro — enviou uma lista de pagamentos pendentes, incluindo a anotação “Espécie Ciro 350k”.
- O piloto afirmou que transportava uma sacola que possivelmente continha dinheiro; um passageiro teria feito perguntas sobre “o Ciro” durante o voo, envolvendo o empresário Roberto Leme.
- A PF descreve uma relação de proximidade entre Vorcaro e Nogueira, com viagens internacionais, jatinhos particulares e gastos do banqueiro financiando viagens, hospedagens e despesas do senador.
A Polícia Federal aponta indícios de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro determinou a entrega de 350 mil reais em dinheiro vivo ao senador Ciro Nogueira. A transação foi supostamente transportada em uma sacola a bordo de uma aeronave particular que saiu de São Paulo com destino a Brasília. O relatório com esse dado teve sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do STF.
Segundo as apurações, o episódio teve início em 6 de agosto de 2024, quando Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, enviou ao banqueiro uma lista de compromissos financeiros pendentes. Em uma anotação relacionada, constava a menção Espécie Ciro 350k, indicando o pagamento em espécie ao parlamentar.
Na documentação, Vorcaro não questiona o pagamento em dinheiro; ele afirma que parte do recurso estava indo para o destinatário e ordena a resolução da pendência com a marcação Paga 7,5 e ciro. O voo citado teve saída de São Paulo, com escala no Rio de Janeiro, antes de chegar a Brasília.
Depoimentos-chave e dinâmica da entrega
O piloto Mauro Caputti Mattosinho disse ter transportado a sacola, cuja identificação foi feita pela percepção do motorista. Um passageiro empresarial, Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, mencionou repetidamente o nome de Ciro durante o trajeto, segundo o relato do piloto.
A PF descreve uma relação próxima entre Vorcaro e Ciro Nogueira, marcada por viagens, encontros privados e uso de jatos particulares. Fotografias, registros de aeronaves e conversas apreendidas apontam para uma relação que a PF classifica como mutualismo ilícito.
Benefícios atribuídos e padrões de gasto
Entre os elementos apurados, a PF aponta que Vorcaro financiou viagens internacionais, hospedagens e despesas pessoais do senador e de sua companheira, Flávia Rosalen. Há registros de hospedagem em Nova York, gastos em Courchevel, visitas a Paris e uma viagem a Portugal com despesas elevadas.
Conforme a investigação, Ciro Nogueira utilizou aeronaves de Vorcaro em pelo menos três voos internacionais. A PF também aponta o uso de um apartamento pertencente ao empresário pelo senador como se fosse de sua propriedade.
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