- Mensagens da Polícia Federal revelam que Luiz Phillipi Machado de Mourão, conhecido como “Sicário”, usou senhas de servidores do Ministério Público Federal para acessar investigações sigilosas e enviar informações a Daniel Vorcaro.
- O material trata da construtora Gafisa, com denúncia de Vladimir Timermann, da Esh Capital; em 15 de fevereiro de 2024, Vorcaro enviou a Mourão uma foto da portaria de um inquérito, relacionado ao “caso Vladimir”.
- Segundo a PF, Mourão recebeu “acesso total nível max.” ao conteúdo, com documentos sob o nome de uma servidora; não se sabe se houve hack ou cessão de dados pelos usedores.
- Os documentos apontavam supostos crimes contra o mercado financeiro envolvendo administradores da Gafisa, do Banco Master e da Planner Trustee, com indícios de ocultação de bens e de títulos de direitos creditórios inflados.
- Em junho de 2024, Mourão disse ter acionado o grupo de capangas que controlava, chamado “A Turma”, para atuar; houve envio de documentos e pedido para deletar mensagens entre Vorcaro e Sicário.
Luiz Phillipi Machado de Mourão, conhecido como “Sicário” e braço direito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é suspeito de acessar comunicações sigilosas do Ministério Público Federal (MPF) para enviar documentos ao próprio Vorcaro. A investigação aponta uso de logins de servidores do MPF para obter informações restritas.
Segundo a Polícia Federal (PF), Mourão participava de uma prática de enviar ameaças a empresários, ex-funcionários e jornalistas a mando de Vorcaro. O material obtido tratava de ações envolvendo a construtora Gafisa, após denúncia de Vladimir Timermann, da Esh Capital. As mensagens indicam que o objetivo era compilar dados sobre supostos crimes contra o mercado financeiro envolvendo administradores da Gafisa, o Banco Master e a Planner Trustee.
A PF detalha que, em 15 de fevereiro de 2024, Vorcaro enviou a Mourão uma foto com a portaria de um inquérito, alegando tratar do “caso Vladimir”. Uma semana depois, Mourão informou ter conseguido acesso total ao conteúdo, fornecendo documentos com o nome de uma servidora, indicando uso indevido de senhas de dois servidores do MPF.
A polícia ressalta que ainda não ficou comprovado se houve ataque hacker ou cessão voluntária de dados por parte dos servidores. O material apreendido sugere uma tentativa de ocultar operações de venda de títulos de direitos creditórios e de precatórios com valor superior ao real.
Durante junho de 2024, as mensagens entre Vorcaro e Mourão se intensificaram. Em 18 de junho, Vorcaro, segundo registros, foi intimado junto a Nelson Tanure, proprietário da Gafisa, e Maurício Quadrado, da Planner Trustee. Mourão indicou ter acionado um grupo denominado “A Turma” para atuar.
No mesmo mês, Mourão enviou a Vorcaro dois documentos sobre os demais investigados e pediu que as mensagens fossem apagadas. A troca incluiu solicitações para que Vorcaro encaminhasse todo o material disponível, conforme as comunicações registradas entre as partes.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Vorcaro nem de Maurício Quadrado até o momento, e a assessoria de Nelson Tanure não emitiu posicionamento oficial. As investigações seguem para esclarecer a origem, a finalidade e o alcance do acesso aos dados sigilosos.
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