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Agricultores veem eleição na Colômbia como duelo pelo futuro da Amazônia

Eleição na Colômbia coloca em jogo a continuidade das zonas de reserva camponesa e a proteção da Amazônia, sob risco de retorno de violência e avanço do agronegócio

The Colombian army patrols the village of Calamar the day before the first round presidential election. The same weekend, two guerrilla groups fought in Guaviare, resulting in the deaths of 48 fighters.
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  • Favelas rurais na região de Guaviare, na Amazônia colombiana, criam zonas de reserva camponesa (ZRC) para proteger comunidades agrícolas e controlar territórios diante do conflito.
  • O governo de Gustavo Petro criou mais ZRCs nos últimos anos; a aprovação oficial de Peña para a ZRC de Calamar ocorreu em 2025, com foco em combate à desflorestação e proteção de biodiversidade.
  • A eleição presidencial de 21 de junho é marcada por polarização entre Iván Cepeda, de esquerda, e Abelardo de la Espriella, de direita; a continuidade de políticas de Petro é tema central para as ZRCs e o futuro ambiental.
  • Muitos agricultores temem que, em caso de vitória da direita, haja retorno de violência, expulsões e expansão agroindustrial, dificultando a sustentabilidade das ZRCs.
  • A transição para economias mais sustentáveis é vista como essencial, mas os produtores pedem segurança, regularização de terras e investimentos para manter a conservação sem inviabilizar a renda.

Pequenos agricultores da região amazônica de Guaviare, central da Colômbia, avançaram na criação de zonas de reserva camponesa (ZRC) para proteger terras, comunidades e biodiversidade. A iniciativa ganhou impulso desde 2018, com aprovação oficial do governo em 2025 e repercute na eleição presidencial de 2026.

Pablo Peña, morador de Calamar, foi um dos pioneiros no processo. Chegou à região na década de 1990 em busca de moradia, trabalho e redução da violência. Hoje participa ativamente da defesa das terras e da implementação de práticas de convivência com a floresta.

Em 2018, Peña e vizinhos iniciaram a delimitação da ZRC, com metas de manter a produção agrícola, fortalecer comunidades e reduzir a ocupação por grupos armados. O governo de Gustavo Petro incentivou a criação de mais zonas como parte de políticas socioambientais.

Contexto das ZRCs

Alguns ZRCs já mostram resultados positivos, como a Guarda de Chiribiquete, que abrange 183 mil hectares e envolve 4.430 pessoas. A área busca equilíbrio entre conservação de floresta, plantios de cacau e geração de renda.

Muitos camponeses migraram do cultivo de coca para atividades como criação de gado e plantio de frutas. Entre 2002 e 2025, Guaviare perdeu cerca de 350 mil hectares de floresta, o que intensifica a pressão por soluções de uso da terra dentro das ZRCs.

A ideia é inserir produtores no sistema institucional, assegurando planos de desenvolvimento sustentável, com apoio do governo e de organizações como a WWF. Ainda assim, a transição econômica envolve desafios para quem depende de atividades tradicionais.

Perspectivas eleitorais

A eleição de 21 de junho testa o futuro das ZRCs. O candidato de direita Abelardo de la Espriella propõe caminhos diferentes de desenvolvimento, com risco de maior peso do agronegócio, mineração e uso intensivo da terra, conforme análise de especialistas.

Iván Cepeda representa a esquerda, defendendo diálogo, reformas e continuidade de políticas de proteção ambiental. Analistas destacam que a continuidade de Petro poderia manter investimentos em zones de reserva, enquanto riscos de violência persistiriam se a segurança falhar.

Para os camponeses, a próxima gestão deverá promover mudanças profundas na economia rural, conciliando direitos de landos com segurança, desenvolvimento sustentável e combate ao desmatamento. A expectativa é de ações concretas que assegurem renda sem comprometer a floresta.

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