- Favelas rurais na região de Guaviare, na Amazônia colombiana, criam zonas de reserva camponesa (ZRC) para proteger comunidades agrícolas e controlar territórios diante do conflito.
- O governo de Gustavo Petro criou mais ZRCs nos últimos anos; a aprovação oficial de Peña para a ZRC de Calamar ocorreu em 2025, com foco em combate à desflorestação e proteção de biodiversidade.
- A eleição presidencial de 21 de junho é marcada por polarização entre Iván Cepeda, de esquerda, e Abelardo de la Espriella, de direita; a continuidade de políticas de Petro é tema central para as ZRCs e o futuro ambiental.
- Muitos agricultores temem que, em caso de vitória da direita, haja retorno de violência, expulsões e expansão agroindustrial, dificultando a sustentabilidade das ZRCs.
- A transição para economias mais sustentáveis é vista como essencial, mas os produtores pedem segurança, regularização de terras e investimentos para manter a conservação sem inviabilizar a renda.
Pequenos agricultores da região amazônica de Guaviare, central da Colômbia, avançaram na criação de zonas de reserva camponesa (ZRC) para proteger terras, comunidades e biodiversidade. A iniciativa ganhou impulso desde 2018, com aprovação oficial do governo em 2025 e repercute na eleição presidencial de 2026.
Pablo Peña, morador de Calamar, foi um dos pioneiros no processo. Chegou à região na década de 1990 em busca de moradia, trabalho e redução da violência. Hoje participa ativamente da defesa das terras e da implementação de práticas de convivência com a floresta.
Em 2018, Peña e vizinhos iniciaram a delimitação da ZRC, com metas de manter a produção agrícola, fortalecer comunidades e reduzir a ocupação por grupos armados. O governo de Gustavo Petro incentivou a criação de mais zonas como parte de políticas socioambientais.
Contexto das ZRCs
Alguns ZRCs já mostram resultados positivos, como a Guarda de Chiribiquete, que abrange 183 mil hectares e envolve 4.430 pessoas. A área busca equilíbrio entre conservação de floresta, plantios de cacau e geração de renda.
Muitos camponeses migraram do cultivo de coca para atividades como criação de gado e plantio de frutas. Entre 2002 e 2025, Guaviare perdeu cerca de 350 mil hectares de floresta, o que intensifica a pressão por soluções de uso da terra dentro das ZRCs.
A ideia é inserir produtores no sistema institucional, assegurando planos de desenvolvimento sustentável, com apoio do governo e de organizações como a WWF. Ainda assim, a transição econômica envolve desafios para quem depende de atividades tradicionais.
Perspectivas eleitorais
A eleição de 21 de junho testa o futuro das ZRCs. O candidato de direita Abelardo de la Espriella propõe caminhos diferentes de desenvolvimento, com risco de maior peso do agronegócio, mineração e uso intensivo da terra, conforme análise de especialistas.
Iván Cepeda representa a esquerda, defendendo diálogo, reformas e continuidade de políticas de proteção ambiental. Analistas destacam que a continuidade de Petro poderia manter investimentos em zones de reserva, enquanto riscos de violência persistiriam se a segurança falhar.
Para os camponeses, a próxima gestão deverá promover mudanças profundas na economia rural, conciliando direitos de landos com segurança, desenvolvimento sustentável e combate ao desmatamento. A expectativa é de ações concretas que assegurem renda sem comprometer a floresta.
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