- Agro avalia que o Ministério da Agricultura tem perdido protagonismo e sofre centralização por parte de auxiliares, dificultando pautas urgentes.
- Temas considerados centrais para o setor incluem a renegociação de dívidas rurais, cortes no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural e outras questões com impacto direto no campo.
- A crítica não é apenas ao ministro André de Paula, mas ao entorno que, segundo interlocutores, prioriza a blindagem institucional e o controle da comunicação.
- Houve tentativa de audiência presencial de Andr é de Paula com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar de prioridades, mas o encontro não aconteceu antes de o presidente partir para a Europa; a alternativa foi uma ligação telefônica não formalmente registrada.
- O ministério destaca ações como abertura de mercados e reconhecimento de áreas livres de febre aftosa sem vacinação, mas a percepção no setor é de que essas medidas não respondem aos problemas imediatos, gerando desânimo técnico e cobrança profissional crescente.
O agronegócio avalia que o MAPA tem enfrentado dificuldade para avançar em pautas consideradas urgentes, semanas antes do anúncio do Plano Safra 2026/27. A percepção é de blindagem institucional e perda de protagonismo nas negociações centrais para o setor.
Lideranças do setor, parlamentares e servidores da pasta apontam falta de respostas sobre temas como renegociação de dívidas rurais e cortes no orçamento do PSR, que geraram atritos com a base parlamentar e a indústria.
A principal crítica não recai somente sobre o ministro André de Paula, mas sobre o grupo próximo a ele, considerado centralizador e capaz de restringir o acesso ao chefe da pasta. A comunicação pública aparece como prioridade de gestão, não necessariamente de solução.
Para alguns interlocutores, o modelo de gestão repetidamente visto na gestão anterior de André de Paula na Pesca e Aquicultura reaparece no MAPA, com foco em agendas institucionais e protocolares, deixando temas sensíveis sem avanço.
Apesar disso, quem sustenta a avaliação adverte que o ministro está há pouco mais de dois meses no cargo, em uma estrutura que já possuía equipes e agendas em andamento, o que dificulta um veredito definitivo sobre resultados.
O descompasso entre demandas urgentes e a divulgação da pasta reforça a percepção de isolamento. O MAPA teria tentado obter audiência presencial com o presidente Lula para tratar de prioridades, inclusive questões internacionais, mas o encontro não ocorreu antes da viagem dele à Europa.
Como alternativa, houve uma conversa por telefone, não registrada formalmente até o fechamento desta edição. A situação ocorre enquanto o setor aguarda o anúncio do Plano Safra e decisões para o endividamento rural.
Muitas ações anunciadas pelo ministério, como abertura de mercados — já acima de 600 oportunidades — e o reconhecimento de território brasileiro pela China e pela Rússia como livre de febre aftosa sem vacinação, são citadas como avanços, porém avaliadas como insuficientes para soluções de curto prazo.
Parlamentares mostram preocupação com temas pontuais de desgaste político, como a revisão ou suspensão de medidas específicas, inclusive a chamada Portaria do Morango, publicada em fevereiro e suspensa recentemente por 60 dias após reação do setor.
No âmbito técnico, há relatos de falta de coordenação e definição de prioridades, gerando desânimo entre equipes. Servidores discutem planos de permanência na estrutura diante do andamento lento das pautas centrais.
A percepção de que há muito consumo de agenda e pouca efetiva resolução de problemas deve se intensificar com o próximo debate público do Plano Safra e a necessidade de soluções para o endividamento rural, segundo fontes do setor.
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