- O Novo de Santa Catarina e Romeu Zema, pré-candidato do partido, vivem atrito internal após posicionamento público do diretório catarinense.
- Divergências começaram depois de declarações de Zema contra o senador Flávio Bolsonaro, ligado ao Novo em estados do Sul, em meio ao vazamento de áudio de Zema para Daniel Vorcaro.
- Em Joinville, SC, Zema foi desconvocado de evento de pré-campanha marcado para 4 de julho; diretório catarinense ameaça se posicionar contra a indicação dele.
- Filiados discutem até encaminhar o caso ao diretório nacional, com possibilidade de boicote ao evento e de troca de comando no Novo em Santa Catarina.
- No Paraná, RS e demais estados da região, há apreensão com a postura de Zema, que pode afetar alianças da direita e a disputa com Lula, incluindo cenários para o Senado e governos estaduais.
O embate entre o Novo de Santa Catarina e o pré-candidato Romeu Zema (Novo-MG) ganha contornos nacionais após divergências envolvendo Flávio Bolsonaro. Zema criticou o senador após vazamento de áudio para Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master. A direção catarinense se manifestou publicamente, ampliando o atrito com o presidenciável.
A situação afeta alianças regionais já formadas. O PL, aliado ao Novo em Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, participou da costura de chapas para outubro. Em meio a isso, Zema indicou críticas que repercutiram dentro da sigla e aceleraram o atrito entre diretórios estaduais e o comitê nacional.
Desconforto interno em Santa Catarina
Nesta segunda-feira (15), Zema foi desconvidado de um evento de pré-campanha programado para 4 de julho, em Joinville (SC). A nota do Novo catarinense sinalizou que, se não houver mudança na equipe de comunicação, o diretório poderá se posicionar contrariamente à candidatura de Zema.
Kahlil Zattar, presidente estadual do Novo, disse que o grupo não deve conceder entrevistas enquanto houver alinhamento interno. Parte dos filiados afirmou ter havido decisão de expor a divergência sem consulta aos demais membros da executiva.
Reação de filiados catarinenses
A Gazeta do Povo apurou que a decisão de tornar pública a discordância teria sido tomada por Zattar, segundo parte dos pré-candidatos do estado. Isso alimenta rumores de possível saída de filiados da disputa antes das convenções, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto.
O evento em Joinville também pode enfrentar boicote, com filiados estudando levar o caso ao diretório nacional para pedir mudanças na direção estadual. Procurado, Zattar afirmou que a executiva decidiu não falar e que haverá reunião interna para alinhamento.
Contexto regional e estratégias de aliança
Em Santa Catarina, o apoio à direita inclui o governador Jorginho Mello (PL-SC), aliado da família Bolsonaro, que aponta Adriano Silva (Novo-SC) como pré-candidato a vice-governador na chapa de reeleição. Mesmo com a insatisfação, correligionários destacam divergências sobre a comunicação adotada por Zema.
Integrantes catarinenses veem o posicionamento de Zema como curto-sobrando, especialmente para possíveis composições da centro-direita no segundo turno contra Lula. O apoio de Flávio Bolsonaro é visto como estratégico para eleições ao Senado e a governos estaduais.
Repercussão no Paraná e outros estados
No Paraná, o Novo ainda não se posicionou oficialmente sobre a nota catarinense. O silêncio não significa aprovação ao tom de Zema contra Flávio Bolsonaro. Ainda assim, a relação com o PL, após a filiação de Sergio Moro, aproxima o Novo de aliados que apoiam o ex-juiz ao governo do estado.
Um pré-candidato ouvido pela Gazeta do Povo afirmou que a postura de Zema busca unificar a direita, mas pode criar ruídos em alianças já estabelecidas. Representantes de São Paulo a Goias manifestaram preocupação com a cláusula de barreira e o impacto eleitoral.
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