- A delação de Daniel Vorcaro detalha supostos repasses do banco Master ao grupo político de Cláudio Castro, totalizando R$ 228 milhões entre 2023 e 2025, segundo a quebra do sigilo fiscal.
- Do montante, R$ 126 milhões teriam ido para a empresa Mídias Promotora Ltda. e R$ 102 milhões para a Metanoien Participação e Consultoria, ambas registradas no mesmo endereço no Rio.
- As informações apontam mudanças promovidas pelo governo de Castro em regras de consignados pelo Credcesta, além de aportes do Rioprevidência e da Cedae em letras financeiras do Master.
- Há descrições de encontros entre Castro e Vorcaro no Brasil e no exterior, incluindo viagens e gastos realizados pelo ex-banqueiro para Castro, como jantar em Nova York avaliado em cerca de R$ 66 mil e degustação de uísque em Londres/Nova York, com custos diferentes descritos.
- Em maio, a Polícia Federal cumpriu buscas no caso; Castro renunciou ao governo para concorrer ao Senado, foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, e a defesa dele nega as acusações.
Já devolvida duas vezes pela PF e pela PGR, a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro detalha suposto caminho de propina para o grupo político do ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL). O documento, com cerca de 35 anexos, aponta negociações em troca de aportes de fundos de pensão ao Banco Master.
Segundo o anexo dedicado a Castro, as tratativas envolveriam pagamentos por meio das empresas Mídias Promotora Ltda e Metanoien Participação e Consulting. A quebra de sigilo fiscal do Master indica que, entre 2023 e 2025, o banco repassou ao grupo político R$ 228 milhões, período em que Castro foi chefe do executivo estadual.
As duas empresas, registradas no mesmo endereço no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio, aparecem entre as dez maiores recebidas pelo Master, conforme dados da Receita Federal compartilhados com a CPI do Crime Organizado. Foram R$ 126 milhões para a Mídias Promotora e R$ 102 milhões para a Metanoien.
O UOL apurou que essas duas companhias passaram a constar no anexo sobre Castro apenas na segunda proposta de delação. O ex-governador renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, mas houve inelegibilidade pelo TSE e desistência da pré-candidatura após operações da PF.
A defesa de Castro repudiou as acusações, afirmando que as menções são ilações sem lastro em provas e sem aceitação formal da Procuradoria-Geral da República. Alega ainda que a recusa da delação demonstra a falta de credibilidade das declarações de Vorcaro.
A PF segue avaliando o material. Embora traga mais informações do que a primeira proposta, o anexo sobre Castro é considerado insuficiente para embasar acordo de colaboração. Investigações apontam que outros anexos envolvendo autoridades não apresentam dados suficientes.
Os pagamentos às duas empresas fazem parte de supostos repasses para o grupo político de Castro, ligados a interesses do Master, sob gestão ou influência dele. Entre os elementos, há menções ao Credcesta, Rioprevidência e Cedae.
A proposta de delação sugere que o relacionamento começou com Nicola Miccione, ex-secretário da Casa Civil. Mudanças regulatórias teriam aberto caminho para a entrada do Master no mercado de consignados, com contratos acima de R$ 5 bilhões.
Miccione afirmou, por meio de assessoria, que mantém a posição de Castro, que nega as declarações de Vorcaro. Em relação à Rioprevidência, a PF investiga aportes de cerca de R$ 3 bilhões em letras financeiras para fundos ligados ao Master.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa de Castro em 26 de maio, no contexto de apurações sobre os aportes. Investigadores destacaram encontros do ex-governador com Vorcaro no Brasil e no exterior.
Relatórios apontam mensagens do celular de Vorcaro indicando gastos de Castro em viagens, como um jantar em Nova York pago pelo banqueiro. Em maio de 2023 e 2024, houve gastos ligados a encontros com Vorcaro.
Em 14 de maio de 2024, Vorcaro realizou novo gasto com Castro, promovendo uma degustação de uísque em Londres, com custo apontado em R$ 5,2 milhões pelo Master. Um dia depois, a Rioprevidência comprou R$ 80 milhões em letras financeiras do Master.
As autoridades destacam que os encontros e aportes indicam um alinhamento entre o grupo de Castro e Vorcaro, com possível impacto sobre recursos oriundos de servidores estaduais. A nova fase da Operação Compliance Zero envolve também o banco Master.
Entre na conversa da comunidade