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Crime organizado evolui mais rápido que estruturas do Estado, aponta delegado

Delegado afirma que Lei Antifacção avança, mas combate ao crime organizado exige capacidade institucional, inteligência e cooperação entre órgãos

A solução já existe em muitos lugares do mundo. O que falta é vontade política e competência para implementar essas medidas
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  • O delegado Waldek Fachinelli participou do podcast Direito&Justiça para debater a Lei Antifacção, Lei nº 15.358/2026.
  • Ele afirma que a legislação é um avanço, mas não resolve o problema sem investimento em inteligência, cooperação entre órgãos e capacidade institucional.
  • Defende mudanças estruturais no Estado e na segurança pública, com integração de dados, maior cooperação e autonomia dos órgãos que enfrentam crimes graves.
  • Apontou dificuldades no Brasil para integrar informações entre diferentes unidades e estados, destacando a necessidade de ações institucionais rápidas.
  • Segundo Fachinelli, é crucial transformar dados em informações estratégicas por meio de inteligência policial orientada por dados, além de utilizar modelos internacionais de cooperação.

Em entrevista no podcast Direito&Justiça, o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Waldek Fachinelli Cavalcante analisa a Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. O programa contou com as jornalistas Ana Maria Campos e Maria Eduarda Lavocat. O tema é o enfrentamento de organizações criminosas, milícias privadas e grupos paramilitares.

Para o expert, a norma representa avanço, mas não resolve a complexidade do problema. Em vez de apenas endurecer penas, ele enfatiza a necessidade de capacidade institucional adequada para combater o crime organizado.

Fachinelli aponta mudanças estruturais no Estado e nas entidades de segurança pública como essenciais. É preciso investir em inteligência, cooperação, integração de dados e autonomia para órgãos especializados, alerta o delegado.

Ele afirma que a solução está em aplicar com eficácia mecanismos já existentes, citando a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, adotada pelo Brasil, embora ainda haja dificuldade de convertê-la em ações concretas.

Para o delegado, endurecimento penal é apenas parte da resposta. O enfrentamento exige participação de múltiplos setores, incluindo saúde, educação, assistência social e comunidades, além das forças de segurança.

Outra crítica é à limitação de estruturas físicas. Não adianta criar uma delegacia especializada em crime organizado sem modelos de apoio em cidades menores, com recursos restritos, destaca Fachinelli.

Ele ressalta a necessidade de ampliar a coleta e o compartilhamento de informações entre órgãos. O combate depende de dados, inteligência e cooperação institucional, não apenas do trabalho policial isolado.

Fachinelli cita modelos internacionais de cooperação, como Europol e Eurojust, que facilitam o intercâmbio entre países. No Brasil, porém, a integração de dados entre estados e órgãos ainda encontra entraves.

Segundo o delegado, as polícias realizam ações relevantes, mas operam com recursos limitados. A cooperação precisa ser estruturada, com fluxos ágeis, acesso rápido a informações e comunicação direta entre órgãos.

Ele defende a adoção da inteligência policial orientada por dados, estratégia que ganhou força após os ataques de 11 de setembro. A ideia é transformar dados em conhecimento estratégico para decisões.

O especialista reforça que o crime organizado atua buscando mercados lucrativos e oportunidades. Por isso, é necessário agir de forma integrada, com planejamento, informação e cooperação entre instituições.

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