- O senador Jaques Wagner negou ter recebido valores do Banco Master e disse que pretende disputar novo mandato, mantendo a liderança do governo no Senado.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para Wagner para demonstrar solidariedade e confirmar confiança, não falando sobre afastamento da liderança.
- A nona fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal atingiu Wagner e Augusto Ferreira Lima; foram cumpridos dezoito mandados de busca e apreensão.
- A PF apreendeu cerca de US$ 55 mil e € 33,5 mil; Wagner disse que os valores são diárias recebidas ao longo de viagens ou compras no Banco do Brasil, mantidos em cofres.
- Investigações apontam indícios de atuação parlamentar de Wagner em temas de interesse do Master e de entrega de vantagens, incluindo a ideia de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirma não ter recebido valores ligados ao Banco Master, alvo da última fase da operação da Polícia Federal. A apuração investiga o Master e outras pessoas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar. Wagner disse que pretende concorrer a novo mandato e seguirá como líder do governo no Senado. A defesa é dada após a PF cumprir mandados autorizados pelo STF.
Wagner afirmou que teve apenas duas reuniões com o empresário Augusto Lima, apontado pela PF como elo do Master. Uma delas ocorreu quando Lima o apresentou a Daniel Vorcaro, dono do Master, e a outra quando Lima pediu indicação de um consultor jurídico. O senador sustenta que não há relação com Vorcaro.
Segundo o senador, os US$ 55 mil e os € 33,5 mil apreendidos são diárias recebidas no Senado ou recursos usados para viagens, guardados em cofres para uso externo. Ele afirma pagar despesas de viagens com cartão de crédito quando possível.
O parlamentar também comentou um imóvel em Salvador, apresentado como investimento por Lima. Wagner diz que o apartamento está em construção e que a aquisição seria para uso futuro pela família, sem transferência de patrimônio para ele.
O que envolve a operação
A nona fase da Compliance Zero, liderada pela PF com autorização do STF, mira suspeitas de favorecimento a ações do Master. A investigação envolve pagamentos, aquisição de imóveis e possíveis vantagens parlamentares em temas do banco.
Ao todo, a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Bahia, São Paulo e no Distrito Federal, e adotou medidas cautelares como suspensão de passaportes e proibição de contato entre investigados. Os recursos apreendidos somam valores em dólares e euros.
A ação destaca três frentes de apuração: entrega de vantagens econômicas, identificação de repasses a empresas vinculadas ao núcleo familiar de Wagner e atuação parlamentar em temas do Master, incluindo créditos consignados e fiscalização da compra do banco pelo BRB.
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