- A PF investiga a frase “a altura do vão é 2,45m” como possível código para negociar um apartamento de luxo em Salvador, ligado ao Banco Master e ao senador Jaques Wagner.
- O diálogo ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro, responsável por questões jurídicas e financeiras do grupo, e Guilherme Henrique Sodré Martins, o “Tio Guiga”, ligado ao círculo de Wagner, envolvendo o condomínio Poème Horto.
- Wagner teria encaminhado informações sobre o empreendimento a Augusto Ferreira Lima, que acionou Valério Marega Júnior, o “Valério Fundos”, para viabilizar a compra; os irmãos Daniel e David Lopes Monteiro também teriam ajudado.
- A aquisição foi formalizada pela Epítome S.A., com recursos de estruturas de fundos do grupo investigado, com suspeita de ocultar o beneficiário final.
- A PF aponta que as movimentações seguiram após a primeira fase da operação, por meio de reuniões, chamadas e trocas de minutas contratuais para reorganizar a situação jurídica do imóvel.
A Polícia Federal investiga mensagens cifradas que seriam usadas para tratar da compra de um apartamento de luxo em Salvador, ligado ao Banco Master e ao senador Jaques Wagner. A comunicação ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Tio Guiga, segundo os autos.
A unidade fica no condomínio Poème Horto. Monteiro é apontado como responsável por questões jurídicas e financeiras do grupo, enquanto Guilherme seria integrante do círculo de confiança de Wagner. A PF considera que o diálogo teve finalidade de tratar da operação sem registro escrito.
Em uma troca analisada pela PF, Monteiro escreveu a frase a altura do vão é 2,45m, que recebeu resposta de perfeito. A interpretação é que o número representa, na prática, o valor do imóvel, estimado em 2,45 milhões de reais.
Os investigadores destacam que havia preferência por comunicações verbais ou presenciais, para evitar registros sensíveis por escrito. As apurações apontam que o apartamento integrou as tratativas após Wagner repassar informações sobre o empreendimento e o corretor responsável pela venda.
A PF sustenta que Augusto Ferreira Lima acionou Valério Marega Júnior para viabilizar a aquisição, com participação dos irmãos Daniel e David Lopes Monteiro na operação. A compra foi formalizada pela Epítome S.A., com recursos de estruturas de fundos vinculados ao grupo investigado, conforme o STF.
Segundo os autos, a forma de estruturar a operação seria compatível com ocultação do beneficiário final do imóvel. Essa linha de investigação é um dos eixos centrais da apuração relacionada à transação.
O ministro André Mendonça, em decisão relacionada, aponta que as movimentações não cessaram após a primeira fase da operação. Houve encontros presenciais, ligações, videoconferências e trocas de minutas contratuais para reorganizar a situação jurídica do imóvel.
Daniel Lopes Monteiro é apontado pela PF como responsável pela elaboração de documentos e suporte jurídico da operação. Guilherme Sodré atuaria como interlocutor entre o grupo ligado ao senador e representantes da empresa gestora do empreendimento.
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