- A Receita Federal e Ministérios Públicos de Pernambuco e do Rio Grande do Norte abriram investigação sobre fraudes ligadas a sites de apostas licenciados irregularmente pela prefeitura de Bodó, cidade com 2.363 habitantes, no Rio Grande do Norte.
- Ao todo, a LotSeridó licenciou 37 sites e cobrou taxas que totalizaram R$ 8,3 milhões; a Receita estima que as empresas movimentaram bilhões e deixaram um prejuízo de R$ 145 milhões para a população e para a União.
- Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo, com apuração de fraude ao consumidor, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro por meio de aquisição de imóveis.
- O esquema envolve dezenas de empresas ligadas ao grupo, com controle financeiro mantido por terceiros (laranjas); há suspeita de uso de endereços falsos e de ligação com Camilo Roma de Brito, presidente da Analome.
- A LotSeridó funcionou até outubro de 2025, pouco antes do STF proibir as licenças municipais de loteria; mesmo após o veto, empresas credenciadas por Bodó continuaram operando sem aprovação oficial.
A operação realizada nesta quinta-feira (18) mira fraudes envolvendo apostas licenciadas por Bodó, município potiguar com 2.363 habitantes. Sites de apostas atuavam sob licença irregular emitida pela prefeitura local, segundo investigação da Receita Federal e dos Ministérios Públicos de Pernambuco e do Rio Grande do Norte.
Ao longo de dez meses, a LotSeridó, loteria criada pelo município, licenciou 37 sites e arrecadou cerca de 8,3 milhões de reais em taxas, conforme o Ministério Público. O volume leva a estimativa de receita declarada de 415 milhões de reais para as casas de apostas investigadas. A Receita, contudo, aponta possível prejuízo de 145 milhões de reais à população e à União.
Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo. As autoridades buscam indícios de fraude ao consumidor, movimentação financeira incompatível com rendimentos declarados, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro por meio da compra de imóveis, além de não repasse da receita líquida aos cofres públicos conforme a lei de apostas.
O organismo fiscal aponta que o grupo investigado criou dezenas de empresas de exploração de jogos, que repassavam recursos a terceiros sem capacidade econômica, mantendo o controle gerencial e financeiro. Parte dos envolvidos recebia parcelas de auxílio emergencial, conforme apurado.
Entre os alvos está Camilo Roma de Brito, presidente da Analome, entidade que defende a descentralização das licenças de apostas. Brito mantinha registros de 24 sites ligados à LotSeridó, segundo apuração anterior. Investigadores afirmam que a estrutura envolvia laranjas para facilitar operações.
Questionamentos sobre a atuação da prefeitura de Bodó e sobre a licença seguem sem resposta até o fechamento desta edição. A prefeitura não confirmou detalhes da operação e não houve manifestação pública do prefeito José Horizon.
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