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PF acusa Jaques Wagner de receber vantagens; senador nega

PF aponta indicativos de recebimento de vantagens por Jaques Wagner; senador nega irregularidades e STF autoriza nona fase da operação Compliance Zero

Senador Jaques Wagner durante coletiva após reunião de líderes no Senado. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
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  • A Polícia Federal aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Wagner nega irregularidades.
  • STF autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, com base em indícios de possíveis vantagens econômicas recebidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente.
  • A PF diz que a relação entre Wagner e Lima seria antiga e próxima, envolvendo familiares e estruturas ligadas ao grupo Master, para defender interesses privados do banco.
  • Segundo as investigações, Wagner indicou dados do empreendimento Poème Horto a Lima; o banco teria envolvimento direto por meio de operadores financeiros vinculados ao grupo.
  • Além do apartamento, a PF aponta repasse de mais de R$ 5,5 milhões à BN Financeira, uso gratuito de aeronaves e ingressos para shows no exterior, com informações extraídas de celulares apreendidos.

O Supremo autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, com base em apuração da Polícia Federal, que investiga supostas vantagens vinculadas ao Banco Master. O alvo principal é o senador Jaques Wagner (PT-BA), que teria recebido um apartamento avaliado em 2,45 milhões de reais de Augusto Lima, ex-sócio do banco.

A PF afirma que a relação entre Wagner e Lima é antiga e de alta confiança, o que teria facilitado tratativas reservadas em defesa de interesses do Banco Master. O inquérito aponta envolvimento de familiares e estruturas ligadas ao grupo investigado.

O apartamento foi indicado como aquisição do residencial Poème Horto, em Salvador. Segundo a PF, Wagner repassou dados sobre o empreendimento a Lima, que por sua vez acionou o operador financeiro Valério Marega Júnior para tratar da compra, com participação de Daniel e David Lopes Monteiro.

Investigações e desdobramentos

Wagner reconheceu conhecer Lima, mas negou vínculos com o Banco Master ou com as pessoas citadas pela PF. O senador informou ter eventualmente conversado sobre a compra para ajudar a filha, sem indicar transferência patrimonial em seu nome.

A PF também apura repasses de mais de 5,5 milhões de reais à BN Financeira, associada a parentes do parlamentar, considerado núcleo central dos pagamentos investigados. A operação indicou uso de aeronaves e ingressos para shows no exterior como vantagens recebidas.

Audios e mensagens apreendidos indicam encontros entre Wagner e Lima em locais do banqueiro, bem como pedidos do senador por ingressos para um camarote em Los Angeles. As apurações citam recursos de empresas ligadas ao grupo Master nessa movimentação.

Emendas e atuação legislativa

Consta que Wagner atuou em temas regulatórios relevantes ao grupo Master, incluindo emendas apresentadas durante a tramitação de medidas provisórias e propostas constitucionais. A PF aponta interlocuções com Lima sobre limites de crédito consignado e autonomia orçamentária do Banco Central.

O senador sustenta que votou contra uma emenda defendida pelo grupo para ampliar a garantia do FGC, e minimiza o recebimento de links ou contatos sobre as emendas citadas. A defesa questiona a relação entre as informações da PF e a atuação parlamentar.

Em Brasília, Wagner confirmou a apreensão de cerca de 49 mil dólares em dinheiro durante cumprimento de mandados. Segundo a assessoria, o montante vem de diárias oficiais, recursos declarados e não utilizados em missões, mantidos em cofre para viagens.

Acompanhamento e posicionamentos

A defesa de Augusto Lima classificou as diligências como desnecessárias, afirmando que as medidas ajudam a demonstrar a licitude das atividades investigadas. Wagner informou que permanece na liderança do governo no Senado, enquanto o caso tramita no STF e na PF.

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