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PF investiga repasse de esquema a Jaques Wagner; imóvel 2,5 mi e propina 3,5 mi

PF investiga se esquema de Vorcaro deu apartamento de 2,5 milhões e propina de 3,5 milhões a Jaques Wagner, durante nova fase de buscas em Brasília, SP e Salvador

PF apura se esquema de Vorcaro deu para Jaques Wagner, do PT, apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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  • A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, com 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília e Salvador, envolvendo Jaques Wagner e Augusto Lima.
  • A investigação apura possível recebimento de vantagens por Jaques Wagner em favor de Daniel Vorcaro, incluindo um apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões.
  • Em Brasília, foram apreendidos US$ 49 mil e uma coleção de relógios; na Bahia, houve apreensão de dólares, euros e reais em espécie.
  • Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno (liquidado pelo Banco Central em 2026), também foi alvo de buscas; ele já havia sido preso na fase anterior.
  • A PF aponta repasses de R$ 3,5 milhões feitos pela BN Financeira, ligada ao núcleo familiar de Wagner, e investiga se Wagner atuou no Congresso em favor do Banco Master.

O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado pelo PT, teve buscas e apreensões realizadas nesta quinta-feira pela Polícia Federal. A ação mira a operação Compliance Zero, que apura suposto esquema envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e desvios ligados ao Banco Master. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados em São Paulo, Brasília e Salvador.

A PF investiga se Wagner recebeu vantagens para atender aos interesses do grupo de Vorcaro, incluindo um apartamento de 2,5 milhões de reais e propina de 3,5 milhões de reais. Em endereços ligados ao senador em Brasília e na Bahia, a polícia recolheu dinheiro em espécie, bem como relógios e documentos.

Entre os alvos também está Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno, que foi preso na primeira fase da investigação e posteriormente solto com tornozeleira. Lima já foi apontado pela PF como operador financeiro do grupo.

Investigações e envolvidos

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A PF aponta possível relação ilícita entre Augusto Lima, Daniel Vorcaro e Jaques Wagner, com indícios de recebimento de vantagens por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias associadas ao grupo.

Segundo a investigação, as primeiras vantagens teriam ocorrido em 2023, com viagens em aviões particulares e a aquisição de ingressos para um show em Los Angeles, mediante a empresa Reag Investimentos, ligada ao esquema. Relatos de mensagens indicam contato entre Wagner e Lima sobre entradas e favorabilidade a familiares.

A PF também identifica indícios sobre um apartamento em Salvador, ainda em construção, ligado ao senador. Em novembro de 2024, Wagner teria repassado contatos da construtora e informações do empreendimento para facilitar a negociação, com sequência de movimentações em 2025.

Repasse de valores indicados pela PF envolve até 3,5 milhões de reais, oriundos de uma empresa controlada por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima, para a BN Financeira, ligada ao núcleo familiar de Wagner. Entre os envolvidos estão familiares e associados ao grupo, com relatos de cobrança de pagamentos em etapas pela parte investigada.

A investigação aponta que Wagner teria mantido contatos com Augusto Lima sobre temas de interesse do grupo, incluindo alterações regulatórias ligadas ao Banco Master e ao Fundo Garantidor de Créditos, além de discussões sobre venda do Master ao BRB. A PF destaca que o político seria interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo.

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