- A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
- A PF apura repasses de R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa ligada à família do senador Jaques Wagner (PT-BA), supostamente usados por meio da PKL One, associada ao ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima.
- Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner e ligado à BN Financeira, teria cobrado pagamentos de Augusto Lima, citando boletos, notas fiscais e documentos a serem assinados.
- Em mensagens de setembro de 2015, Sodré afirmou que o boleto venceria no dia seguinte; investigadores associam a cobrança a dificuldades na venda do Banco Master ao BRB.
- A PF questiona se a operação entre BN Financeira e PKL One teve origem em serviços prestados ou se serviu para dar aparência de legalidade a repasses considerados irregulares; defesa de Lima afirma atuação dentro da lei.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com 18 mandados de busca e apreensão nas regiões da Bahia, São Paulo e Distrito Federal. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e faz parte do desdobramento de investigações sobre repasses financeiros atrelados a integrantes de redes empresariais vinculadas a figuras públicas.
A PF apura repasses de cerca de 3,5 milhões de reais para a BN Financeira, empresa ligada a familiares do senador Jaques Wagner (PT-BA). Os pagamentos teriam sido realizados pela PKL One, associada ao ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, que também é alvo das investigações ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, controlador da instituição.
Segundo as apurações, Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner e ligado à BN Financeira, tereria cobrado os pagamentos a Augusto Lima, citando boletos, notas fiscais e documentos a serem assinados para formalizar os repasses. Em mensagem de 4 de setembro de 2015, Sodré teria indicado que o boleto venceria no dia seguinte.
Contexto e hipóteses
Documentos analisados pela PF apontam que Lima atribuiu dificuldades de pagamento ao insucesso da venda do Banco Master ao BRB, o que, para os investigadores, reforça a hipótese de relação entre os repasses à BN Financeira e interesses da instituição controlada por Vorcaro.
A PF investiga se a operação entre BN Financeira e PKL One teve origem em serviços efetivamente prestados ou apenas simulou regularidade para justificar pagamentos considerados irregulares. Eduardo Sodré é descrito pela PF como figura central no eixo financeiro ligado ao núcleo familiar de Jaques Wagner, sem indicar sua função na BN Financeira.
Posição das partes
A defesa de Augusto Lima afirmou que o cliente sempre atuou dentro da lei, com transparência e observância das normas do sistema financeiro e da administração pública. A PF não revelou participação de outros envolvidos, e o silêncio de representantes de Wagner e dos demais citados foi destacado pela reportagem.
A PF mantém a apuração e pretende esclarecer a origem dos recursos, bem como a relação entre as partes envolvidas, sem concluir sobre ilegalidades neste estágio da investigação. A reportagem continuará acompanhando novas manifestações oficiais.
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