- A PGR pediu ao ministro Alexandre de Moraes a transferência da investigação da Abin Paralela do STF para a primeira instância da Justiça.
- O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que Jair Bolsonaro era a única autoridade com foro privilegiado ligada ao caso e que sua conduta já foi analisada na ação penal relacionada à trama golpista.
- Caso o pedido seja acatado, as investigações sairão do STF e passarão a ser conduzidas por um juiz de primeira instância, retirando desdobramentos envolvendo Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem do foro.
- A Polícia Federal aponta uma estrutura clandestina dentro da Abin, entre 2019 e 2022, que monitorava autoridades, jornalistas e adversários, usando ferramentas de inteligência como o First Mile.
- O relatório indica que Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro integravam o núcleo político que definia alvos de monitoramento, e o ex-presidente teria conhecimento e seria um dos principais beneficiários do esquema; ao todo, 36 pessoas foram indiciadas.
A Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro Alexandre de Moraes que a investigação conhecida como Abin Paralela seja transferida do STF para a Justiça de primeira instância. O parecer foi encaminhado nesta quinta-feira e pode alterar o rumo das apurações que envolvem aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Paulo Gonet, chefe da PGR, sustenta que Bolsonaro era a única autoridade com foro privilegiado ligada ao caso. Ele afirma que os fatos remanescentes não guardam relação direta com autoridades com foro especial nem com a suposta finalidade antidemocrática já investigada pelo STF.
Caso o pedido tenha acolhimento, as investigações saem do STF e passam a ser conduzidas por uma vara de primeira instância, alterando o manejo dos desdobramentos envolvendo investigados como Carlos Bolsonaro, Ramagem e outros.
O que envolve a Abin Paralela
A Polícia Federal concluiu, em 2025, que houve uma estrutura clandestina dentro da Abin destinada a monitorar autoridades, jornalistas e adversários políticos. A PF aponta uso de ferramentas de inteligência para fins políticos e para disseminação de desinformação.
Segundo o relatório, o grupo operou entre 2019 e 2022 sob a gestão de Alexandre Ramagem, então diretor-geral da Abin. A apuração indica que o material produzido era utilizado para beneficiar ações políticas do governo.
A investigação aponta que Jair Bolsonaro e Carlos Bolsonaro integram o núcleo político responsável por definir alvos de monitoramento. A PF sustenta que o ex-presidente tinha conhecimento e foi um dos principais beneficiários do esquema.
Indiciamentos e desdobramentos
Ao final das apurações, a PF indiciou 36 pessoas pelos crimes de organização criminosa, invasão de dispositivo, interceptação clandestina, violação de sigilo, embaraço às investigações, corrupção passiva e prevaricação. Entre os indiciados estão Carlos Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Luiz Fernando Corrêa, atual diretor-geral da Abin.
A PF também indicou indícios de atuação de integrantes da gestão atual da Abin com o objetivo de dificultar o avanço das investigações. A transferência para a primeira instância, caso ocorra, pode redefinir o ritmo das diligências e a condução de denúncias futuras.
Entre na conversa da comunidade