- A Polícia Federal aponta Jaques Wagner (PT-BA) como interlocutor relevante de interesses do Banco Master e possível atuante para favorecer a venda ao BRB, que foi rejeitada pelo Banco Central.
- A nona fase da Operação Compliance Zero resultou em buscas para investigar ações de Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
- Em março de dois mil e vinte e cinco, Lima enviou a Wagner detalhes sobre a venda do Banco Master ao BRB, com a frase: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!!”.
- Entre março e setembro de dois mil e vinte e cinco, o BRB tentou a aquisição do Master; o Banco Central vetou a operação por riscos à estrutura financeira do BRB, que já havia transferido mais de R$ 12 bilhões em ativos ao Master.
- A suposta contrapartida pela atuação de Wagner incluiria um imóvel de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e a transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, ligada ao núcleo familiar do senador.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) é alvo de investigaçõess da Polícia Federal na fase nona da Operação Compliance Zero, que apura possível intermediação para favorecer a venda do Banco Master ao BRB. A PF aponta que Wagner atuou como interlocutor relevante entre interesses do Master e o Congresso, em uma operação que o Banco Central chegou a rejeitar.
Segundo os investigadores, diálogos encontrados no celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, indicam que Wagner teria participação ativa na tentativa de viabilizar a compra do Master pelo BRB. Em março de 2025, Lima detalhou ao senador os termos da venda, chegando a mencionar que Wagner “faz parte disso”.
A ação ocorreu durante a investigação que levou a busca de Wagner e Lima nesta quinta-feira, 18, na nona fase da operação. Os agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, em endereços ligados aos investigados.
Contexto da operação e desdobramentos
Entre março e setembro de 2025, o BRB tentou adquirir o Master, em operação interna chamada “Projeto Vórtice”. O Banco Central, no entanto, vetou o negócio por entender riscos à situação financeira do BRB, estatal do Distrito Federal.
O Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central meses após o veto, em função de problemas de liquidez e de irregularidades associadas ao grupo. A PF também aponta que o BRB já havia transferido mais de R$ 12 bilhões ao Master em operações de ativos sem lastro adequado.
Apoio financeiro envolvido
De acordo com a investigação, parte do suposto contrapeso financeiro envolvia um imóvel de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de uma transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner. A BN Financeira, vinculada à família do senador, recebeu esse montante.
Entre os investigados, Eduardo Mendonça Sodré Martins, conhecido como Dudu, enteado de Wagner, é citado em mensagens cobrando pagamentos pendentes e alertando sobre boletos de alto valor. A PF classifica esse conjunto de acordos como indicativo de pagamento por atuação no esquema.
Repercussões e próximos passos
A defesa de Wagner foi procurada pela imprensa, mas ainda não se manifestou. Os advogados de Augusto Lima contestaram as diligências da PF, classificando-as como desnecessárias. A reportagem continua acompanhando o andamento do caso e a comunicação das defesas.
Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos como parte da investigação da linha de atuação do que a PF chama de núcleo articulador do Master, com foco em potenciais impactos à integridade do processo de venda ao BRB.
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