- A Polícia Federal realizou operação em Brasília e Salvador mirando o senador Jaques Wagner (PT-BA); ele não foi denunciado nem é réu.
- A PF associa Wagner a atuação para favorecer o grupo Master, incluindo propostas para ampliar a margem consignável e mudanças no Fundo Garantidor de Crédito, além de uma possível tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília.
- Segundo a investigação, repasses de cerca de R$ 3,5 milhões teriam ido para a BN Financeira Ltda., ligada ao núcleo familiar de Wagner; a defesa nega irregularidades.
- A PF também cita a compra de um apartamento de alto padrão em Salvador, estimado em cerca de R$ 2,4 milhões, como possível benefício indireto; Wagner diz que o imóvel não integrou seu patrimônio.
- O ministro André Mendonça tem atuado com cautela; para Lula, o dilema é manter Wagner no cargo e enfrentar desgaste ou afastá-lo e enfrentar ataques da oposição.
A operação da Polícia Federal (PF) realizada em Brasília e Salvador envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e ocorre no contexto do escândalo do Banco Master. Embora Wagner não tenha sido denunciado nem se Tornado réu, o seu nome entre os investigados aumenta a tensão entre os Poderes e coloca o governo Lula no centro das investigações. A justificativa da PF foca em suposta relação privilegiada com o grupo Master e nas consequências políticas.
A PF sustenta que Wagner participou de articulações para ampliar a margem consignável de trabalhadores, o que favoreceria instituições ligadas ao Master. A apuração aponta para a atuação de assessores do Master na formulação de propostas que envolvem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A defesa nega irregularidades, afirmando que não houve vantagem pessoal.
A chamada Emenda Master, ligada à PEC 65/2023, é central para a ofensiva investigativa. Segundo os investigadores, o texto seria encaminhado a parlamentares com o objetivo de alterar regras do FGC. A PF ainda investiga possível participação de Wagner na negociação de aquisição do Master pelo BRB, o Banco de Brasília.
Entre os envolvidos, está o próprio grupo familiar de Wagner, com repasses apontados pela PF. A investigação cita recursos que somam cerca de R$ 3,5 milhões vinculados à BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo da família do senador. A defesa sustenta que os recursos não tinham destinação pessoal.
A PF também aponta possíveis benefícios indiretos, como aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões. Wagner afirma que o imóvel não integrou seu patrimônio e que a operação envolveu sua filha e Augusto Lima, em uma negociação legítima.
Relatos da PF mencionam ainda uso de aeronaves privadas e ingressos para eventos internacionais pagos por empresas do setor financeiro. A investigação encara esses itens como parte de vantagens associadas a apoio político, sem concluir a existência de irregularidades.
O ministro André Mendonça, do STF, acolheu parcialmente as suspeitas, mas recusou medidas de busca e apreensão no gabinete de Wagner. A justificativa foi a insuficiência de elementos para justificar medidas invasivas em dependências de outro Poder. A existência de investigação não comprova os fatos.
Wagner é uma figura central na articulação do governo no Senado, com histórico como ex-governador da Bahia e ex-ministro de defesa e da Casa Civil. O caso amplia o desafio político para Lula, que encara a possibilidade de afastar o líder da base para reduzir o desgaste, ou manter a posição para não sinalizar reconhecimento das acusações.
Nos bastidores, a possibilidade de afastamento de Wagner é discutida entre aliados do governo. A decisão pode impactar a imagem pública do Palácio do Planalto e a confiança em instituições, dependendo de como as apurações evoluírem e de novos desdobramentos judiciais.
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