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Associação contesta decisão do governo de exigir retorno de delegados

ADPF contesta retorno de delegados cedidos; afirma que medida afeta áreas estratégicas e não resolve evasão na Polícia Federal

Na imagem, integrantes da ADFP em evento. A manifestação foi realizada depois de o Ministério da Justiça enviar nesta semana ofícios solicitando a devolução de policiais federais cedidos para auxiliar magistrados e atuar em outros órgãos públicos
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  • A ADPF critica a decisão do Ministério da Justiça de pedir o retorno de delegados cedidos a órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, afirmando que a medida afeta funções estratégicas e não resolve problemas estruturais da carreira.
  • Oficios enviados pelo governo solicitam a devolução de policiais federais, com cerca de 100 pedidos encaminhados a mais de cinquenta órgãos federais, estaduais e municipais.
  • A medida foi apresentada como parte de uma diretriz para fortalecer a segurança pública e combater o crime organizado, conforme afirmou o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges.
  • Dados apresentados pela ADPF mostram evasão de profissionais: nos últimos três anos, 104 delegados ingressaram na PF e 50 deixaram a carreira; há também queda no interesse por concursos, de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025.
  • A entidade defende medidas estruturais para valorização da carreira, retenção de talentos e melhoria das condições de trabalho, mantendo o intercâmbio entre órgãos como benefício institucional.

A ADPF, Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, manifestou preocupação com a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de pedir o retorno de delegados cedidos a órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A nota foi divulgada nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026.

A entidade sustenta que a medida pode comprometer instituições que dependem desses profissionais em funções estratégicas e não resolve o que chama de principal problema da PF: as questões estruturais da carreira. A nota da ADPF afirma ainda que o intercâmbio fortalece o diálogo entre órgãos.

A discussão envolve a recente remessa de ofícios solicitando a devolução de policiais federais. Os textos foram assinados pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, e apontam cerca de 100 pedidos de retorno para mais de 50 órgãos federais, estaduais e municipais.

Os ofícios integram uma diretriz do governo para reforçar a segurança pública e o combate ao crime organizado, segundo oJO. A iniciativa, apresentada como forma de ampliar atividades finalísticas, já estava em curso desde o fim de abril, conforme declaração de Borges.

Lula já havia defendido, em abril, o retorno de delegados cedidos à PF, deixando claro que apenas os que ocupam cargos fora da polícia devem retornar. A declaração ocorreu durante pronunciamento público do presidente, que pediu ao Ministério da Justiça mobilização de agentes.

OFÍCIOS ENVIADOS

Os documentos encaminhados pelo Ministério da Justiça solicitam formalmente o retorno de delegados, rodoviários federais e policiais penais. Borges afirmou que a medida busca reforço das atividades fim e combate ao crime organizado, conforme entrevista ao Estadão.

A ADPF ressalta que delegados destacados para outros órgãos agregam experiência e qualificação técnica. Esse fluxo é visto pela associação como ferramenta de fortalecimento institucional e de políticas públicas, além de aprimorar a gestão estatal.

Dados apresentados pela entidade apontam que, nos últimos três anos, 104 novos delegados ingressaram na PF, enquanto 50 deixaram a carreira para ocupar outros cargos públicos. A ADPF também cita queda no interesse por concursos, de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025.

Segundo a associação, o desafio da PF está ligado a evasão interna e a condições de trabalho. A solução, diz, passa pela valorização da carreira, retenção de talentos e melhoria das condições, sem restringir a atuação de delegados em outros órgãos.

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