- Ciro Gomes recusou disputar a presidência pela quinta vez e busca governar o Ceará, sinalizando liderança em pesquisas contra Elmano de Freitas.
- A segurança pública é a prioridade do candidato, diante de altos índices de violência e da infiltração do crime organizado no estado.
- Ele diz manter distância de Lula e Flávio Bolsonaro, rejeita aliança com o filho do ex-presidente e afirma que o apoio do PL Cearense é aceitável apenas para a chapa regional.
- Sobre o STF, ele classifica a condenação de Jair Bolsonaro como exagerada, discute o conceito de golpe e critica tanto o PT quanto o bolsonarismo.
- Em relação à política externa, defende cooperação com os Estados Unidos na área de segurança caso seja governador, com foco em redes de inteligência e combate a criminosos.
Ciro Gomes rejeitou o convite do PSDB para disputar a Presidência pela quinta vez e sinalizou que tentará retornar ao governo do Ceará, cargo que já ocupou entre 1991 e 1994. O estado enfrenta violência crescente e desafios de segurança pública, apontando a segurança como prioridade de campanha. Ele também afirmou acreditar que a classificação dos PCC e CV como terroristas pelos EUA pode influenciar o combate às facções.
O ex-ministro da Integração Nacional criticou a gestão federal atual e afirmou que, no Ceará, pretende enfrentar o PT com foco em segurança, desenvolvimento e saúde. Em entrevista a VEJA, disse que não há possibilidade de aliança com o filho do ex-presidente e citou apoio do PL cearense, embora trate com distância qualquer aproximação nacional com o governo federal.
Afirmou ainda que não impedirá conversas regionais com o PL, desde que alinhadas a um projeto de emancipação do Ceará. Reiterou críticas à gestão de Lula e a Jair Bolsonaro, atribuindo divergências nacionais ao impasse com o PL. Disse ter mantido posição de oposição, sem, contudo, rejeitar interlocuções locais.
Plano para o Ceará
Ciro enfatizou o uso de cooperação internacional para combater o crime, citando a possibilidade de trabalhar com Estados Unidos em áreas de segurança. Defendeu uma atuação cirúrgica contra as organizações criminosas, com foco em intermediários e redes de financiamento, sem recorrer a ações indiscriminadas.
Sobre a atuação policial, disse que não pretende ações de enfrentamento em massa nas favelas, e sim ações direcionadas a organizações criminosas, com aprendizado técnico de outros países, incluindo Israel. Também apontou a necessidade de tecnologia de ponta para uma rede de inteligência estadual.
Contexto político e nacional
O ex-ministro afirmou que, mesmo sem apoiar Flávio Bolsonaro, não rejeita o apoio de siglas locais. Em relação ao STF, avaliou que houve golpe de Estado na percepção de parte da população e reconheceu que as penas aplicadas aos envolvidos no 8 de janeiro foram desproporcionais, segundo sua leitura.
Ciro voltou a criticar o Bolsa Família e as políticas de gasto público, citando aumento da dívida, alta inflação futura e inadimplência elevada como indicadores de desalinhamento fiscal. Reiterou que a corrupção no INSS envolve fraudes e crédito consignado, envolvendo diferentes rodas do espectro político.
O candidato ao governo do Ceará também comentou sobre a evolução de acordos nacionais, destacando que a prática de alianças locais não impede divergências nacionais com o governo federal. Disse que, se eleito, buscará consenso para conter a dada gravidade da situação de segurança pública no estado.
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