- Em 2026, estados e capitais destinam 15,4 bilhões de reais em emendas parlamentares locais.
- Desse total, 13,46 bilhões ficarão com deputados estaduais e 1,98 bilhão com vereadores das capitais.
- O montante estadual se soma aos 50 bilhões já carimbados por deputados federais no orçamento da União.
- Há preocupação com transparência e facilidade de desvio, especialmente com emendas Pix e calendários de pagamento que aceleram liberações.
- Entre as capitais, os maiores valores absolutos aparecem em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Goiânia; entre os estados, Minas Gerais concentra o maior orçamento de emendas.
Em 2026, estados e capitais destinaram 15,4 bilhões de reais a emendas parlamentares locais, segundo levantamento da Folha. O valor acompanha o ritmo de uso desse instrumento de poder, já presente no Orçamento da União com 50 bilhões.
Do total, 13,46 bilhões vão para emendas de deputados estaduais, representando um aumento nominal de 13,1% ante 2025. Já as emendas de vereadores das capitais somam 1,98 bilhão de reais, conforme o mesmo levantamento.
As emendas conferem aos parlamentares controle direto sobre parcelas do orçamento. Em todo o país, o mecanismo permite direcionar recursos a obras, programas ou entidades específicas, com transparência nem sempre clara.
Contexto e desdobramentos
A prática se mostra disseminada e, segundo a Folha, já inspira inovações da esfera federal para o âmbito regional. Em estados que adotaram regras semelhantes, o calendário de pagamento tende a acelerar liberações, especialmente em ano eleitoral.
Em Minas Gerais, por exemplo, o orçamento estadual prevê 2,54 bilhões de emendas para 2026, o maior valor entre os estados, seguido por outras unidades que ampliam percentuais reservados às emendas. O governo mineiro afirma que as reservas possuem previsão legal.
Alguns estados apresentam regras distintas de execução. O Acre já adotou mecanismos de pagamento com complexidades de calendário, e o Acre não respondeu a pedidos de entrevista sobre o tema. Em Mato Grosso, grande parte do montante já foi empenhado, com desembolso efetivo próximo da metade.
Especialistas ressaltam que o aumento das emendas pode ampliar a transparência quando há controle efetivo, mas também pode ampliar oportunidades de desvio se não houver fiscalização adequada. Organizações como a Transparência International acompanham o tema.
Os números indicam variações entre capitais. Em São Paulo, o maior valor absoluto entre as capitais ficou em 330 milhões de reais, seguido por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Goiânia. Em outras cidades, a soma fica abaixo desse patamar.
A reportagem buscou dados em constituições estaduais, leis orgânicas municipais e portais de transparência. Em alguns municípios, as informações sobre as emendas para 2026 não estavam disponíveis de forma pública.
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