- A Polícia Federal deflagrou operação contra Jaques Wagner (PT-BA), ligando o caso Banco Master e provocando mudança de humor em torno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
- Aliados do senador dizem que ele deixa de carregar sozinho o custo político e pode voltar a atacar o PT com mais contundência.
- Flávio defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o Banco Master, mas a instalação depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
- Em evento em São Paulo, ele associou o escândalo ao PT da Bahia e buscou reforçar a narrativa de combate à impunidade.
- Mesmo com o alívio, o entorno reconhece que o escrutínio sobre Flávio persiste pela pré-candidatura, enquanto Jaques Wagner ocupa posição diferente e pode amenizar o isolamento do bolsonarismo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vê espaço para deixar a defensiva e dividir o custo político do caso Banco Master com o PT, após a operação da Polícia Federal que mirou Jaques Wagner (PT-BA). A ação mudou o humor do entorno de Flávio, que antes carregava sozinho o desgaste da crise.
A PF mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, algo que, segundo aliados de Flávio, abriu margem para uma disputa de narrativas mais favorável ao bolsonarista. Mesmo com a defesa de que a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro se restringiu a buscar financiamento privê para um filme, o tema passou a ser um passivo relevante na pré-campanha.
Embora continue defendendo que houve apenas busca de recursos para uma produção audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, interlocutores reconhecem que o episódio virou assunto central da agenda do pré-candidato. Questionamentos sobre idoneidade podiam exigir respostas duras durante debates e entrevistas.
Pouco tempo após a operação, Flávio passou a usar as redes para defender a instalação de uma CPMI para o Banco Master, associando o escândalo ao PT. A avaliação é de que a criação da comissão não deve ocorrer tão cedo, caso dependa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Em evento em São Paulo para lançar propostas de segurança pública, Flávio conectou o caso ao PT da Bahia e afirmou haver indícios de “impunidade” que precisam ser combatidos. A fala reforçou a estratégia deAtaque político ao núcleo petista na bancada baiana.
Nos bastidores, equipes de comunicação da campanha trabalharam para reforçar a ligação entre o caso Master e o PT da Bahia, com repercussões rápidas nas redes. Ainda que já defendesse a criação de uma CPI, o discurso vinha sendo limitado pela associação direta com o Banco Master.
Ao mesmo tempo, o entorno de Flávio afirma que não pretende transformar a campanha em debate permanente sobre o financiamento do filme. A ideia é, segundo aliados, usar o novo cenário para retomar uma agenda mais propositiva, sem perder o foco na corrupção.
A estratégia ficou clara no lançamento do programa Brasil sem Medo, voltado à segurança pública, elaborado com a participação de Sérgio Moro e Guilherme Derrite. Medidas propostas incluem reduzir a maioridade penal e criar presídios com modelo similar ao de Nayib Bukele, em El Salvador.
Jaques Wagner, por sua vez, ocupa posição de liderança no PT e no governo, mas não disputa a eleição presidencial. A presença de um aliado próximo de Lula na investigação pode reduzir o isolamento político de Flávio dentro do escândalo, segundo fontes próximas.
Em resumo, a PF não encerra o caso Master, mas altera o equilíbrio político. A expectativa é que a operação permita a Flávio explorar o tema da corrupção com mais autonomia, sem depender apenas da defesa de si mesmo, e mantendo o foco na crítica ao PT.
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