- O Ministério da Justiça mandou retornar pelo menos 150 policiais federais cedidos a outros órgãos, com prazo de trinta dias; os primeiros cem já tiveram retorno determinado.
- A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda em abril, sob a justificativa de reforçar o combate ao crime organizado.
- Inicialmente, apenas policiais que atuam como secretários de Segurança Pública deveriam permanecer cedidos; houve uma seleção para não prejudicar funções estratégicas, como o delegado federal Ricardo Saadi.
- Há preocupação interna na Polícia Federal de que a decisão afete delegados cedidos ao Supremo Tribunal Federal, incluindo aqueles que atuam em investigações sensíveis sob supervisão de ministros.
- Entre os cedidos, 52 delegados atuam em diferentes órgãos, com pelo menos três no STF; destaca-se o caso de Thiago Marcantônio, que trabalha no gabinete de ministro e auxilia investigações supervisionadas pelo tribunal.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou o retorno de pelo menos 150 policiais federais cedidos a outros órgãos. A medida, anunciada por meio de avisos internos, foi autorizada pelo presidente Lula ainda em abril.
A orientação atende órgãos federais, estaduais e municipais, com prazo de 30 dias para o retorno. A ação visa reforçar o combate ao crime organizado, segundo o ministério, sem prejuízo a funções estratégicas.
Os primeiros 100 profissionais já tiveram o retorno autorizado nesta semana. A lista final de quem volta será definida por cada corporação, entre PF, PRF e Polícia Penal Federal.
Elementos-chave da decisão
Enquanto a justificativa central é o reforço ao combate ao crime, apurações internas indicam alvo entre delegados cedidos ao STF. Investigadores destacam que o objetivo pode incluir delgados que atuam sob supervisão de ministros da Corte.
Entre os vinculados ao STF, estaria Thiago Marcantônio, delegado de classe especial, que atua há mais de 20 anos na PF e auxilia investigações sob o gabinete do ministro André Mendonça, inclusive casos sensíveis como o caso Master e questões do INSS.
A Associação dos Delegados de Polícia Federal aponta que 52 delegados estão cedidos a diferentes órgãos, com pelo menos três atuando no STF. Um deles, Fábio Shor, assessora o ministro Alexandre de Moraes e conduz investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a medida pode afetar áreas importantes para a integração entre polícia e Judiciário. Técnicos ouvidos ressaltam que a retirada de delegados estratégicos pode ter impactos operacionais.
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