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Indenizações da Toyota expõem carreira de Kassio Nunes Marques

TJ do Piauí adia julgamento de recurso da Toyota sobre indenização de 18 milhões, envolvendo Kassio Nunes Marques, hoje ministro do STF

O ministro Kassio Nunes Marques em sessão no STF; ele também é presidente do TSE
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  • Tribunal de Justiça do Piauí adiou sessão que iria julgar recurso da Toyota do Brasil para anular indenização de R$ 18 milhões por defeito em veículo.
  • A ação foi movida em 2008 por Kassio Nunes Marques e José Wilson Ferreira de Araújo Júnior, então sócios, contratados pela concessionária Nordeste Veículos Ltda.
  • Em 2005 houve acordo entre Toyota e a concessionária para compensar cliente com dois veículos; a ação pleiteava danos morais, materiais e lucros cessantes.
  • Kassio, hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e José Wilson ingressaram na magistratura pelo quinto constitucional da advocacia; outros detalhes ligados à época foram citados pela reportagem.
  • Kassio afirmou que atuou como advogado entre 2008 e 2010 e que não advoga desde 2011; TJ-PI não se manifestou sobre o processo.

O Tribunal de Justiça do Piauí adiou a sessão que julgaria nesta sexta-feira recurso da Toyota do Brasil para anular uma indenização de 18 milhões de reais por suposto defeito em veículo. A decisão envolve uma ação movida pela Nordeste Veículos Ltda. contra a montadora.

A ação foi iniciada em 2008 pelos então advogados Kassio Nunes Marques e José Wilson Ferreira de Araújo Júnior, sócio no escritório Lex Advocacia, em Teresina. A Nordeste Veículos mantinha disputa com a Toyota.

Em 2005, Toyota e Nordeste Veículos assinaram acordo para compensar a venda de um carro com defeito, oferecendo dois veículos ao cliente. A Nordeste recorreu na Justiça após o acordo, pleiteando danos morais, materiais e lucros cessantes.

Kassio estimou o valor da causa em 734 mil reais, e a Toyota foi condenada a pagar 18 milhões. A empresa afirma que o montante equivaleria a 212 veículos zero quilômetro. Parte do valor foi executada, somando 4 milhões.

Hoje Kassio Nunes Marques preside o TSE, enquanto José Wilson Ferreira de Araújo Júnior integra o TRE-PI, onde tomaram posse em 8 de abril. O caso atual envolve ainda o histórico de atuação dos dois no Judiciário.

Em março, José Wilson votou contra a Toyota em sessão no TJ-PI; ele se declarou impedido em abril. O colega José Olímpio Galvão declarou suspeição em 2020. Ambos são citados na tramitação do processo.

Advogado Marcus Vinícius Coêlho, ex-presidente da OAB, atuou em outra ação envolvendo a Toyota, que resultou em uma condenação de 7,7 milhões por acidente sem vítimas. A decisão foi proferida por juiz já falecido.

O juiz José Ramos Dias Filho, que autorizou a condenação em 2017, foi aposentado compulsoriamente pelo CNJ, após acusações de sumiço de processos. Em 2022, o TJ-PI inaugurou um anexo com o nome dele.

A sessão foi transferida para 3 de julho pelo desembargador Agrimar Rodrigues, presidente das Câmaras Reunidas Cíveis do TJ-PI. O desfecho do recurso depende de votação de outros magistrados do TJ-PI.

O Ministério Público, a defesa da Toyota e a assessoria de Kassio confirmaram a atuação do ministro como advogado no período, entre 2008 e 2010, sem atuação desde 2011. O TJ-PI não divulgou informações adicionais sobre o processo.

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