- Senador Jaques Wagner (PT-BA) é alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, com mandado de busca e apreensão emitido pela Polícia Federal.
- O presidente Lula ligou para Wagner, pedindo que ele se defenda e não deixe perguntas sem resposta.
- Wagner sinalizou disposição para depor à PF e esclarecer a relação com Augusto Lima; havia reunião prévia com André Mendonça, relator do caso no STF.
- Debatedores discutem se Wagner deve permanecer na liderança do governo no Senado; Ana Amélia Lemos sugere afastamento para não contaminar o governo.
- O debate compara o caso de Wagner ao de Ciro Nogueira e discute valores encontrados em quarto de hotel, com Cardozo defendendo a presunção de inocência e cautela.
O Grande Debate tratou das acusações contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) na 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. O programa contou com a participação de José Eduardo Cardozo e Ana Amélia Lemos, na CNN Brasil, nesta quinta-feira.
Segundo apuração de Gustavo Uribe, presidente Lula ligou para Wagner para orientar a defesa e cobrar esclarecimentos. O senador sinalizou disposição de depor à PF para esclarecer a relação com Augusto Lima.
Wagner é suspeito de ter se beneficiado de recursos do Banco Master. Em entrevista à Band News, ele negou as acusações e afirmou que está à disposição para esclarecer os fatos.
Antes da operação, Wagner reuniu-se com André Mendonça, relator do caso Master no STF. A expectativa é que ele retorne a Brasília e avalie com Lula a permanência na liderança do governo no Senado.
Debate sobre a permanência de Wagner na liderança
Ana Amélia Lemos afirmou que o governo enfrenta problema grave com o caso. Ela sugeriu que o afastamento temporário poderia evitar contaminação ao governo e ao presidente Lula.
A comentarista citou um episódio histórico em que Itamar Franco afastou um chefe de gabinete diante de denúncias, destacando que, após inocência comprovada, tudo pode ser recuperado.
Ela disse que Lula deveria considerar recomendar a saída de Wagner da liderança, para manter tranquilidade institucional. Também mencionou que o escândalo envolve diferentes espectros políticos.
Para Ana Amélia, há envolvimento de outros poderes, inclusive Executivo e Judiciário, em relação ao Banco Master, e apontou o caso de Daniel Vorcaro como elemento de complexidade.
Cardozo defende cautela e presunção de inocência
Cardozo afirmou que a PF atua de forma autônoma e séria, o que seria positivo para o governo. O comentarista comparou com episódios do governo anterior em que houve tentativas de interferência na PF, segundo ele, sem ocorrer no governo Lula.
Ele defendeu a presunção de inocência de Wagner e criticou pré-julgamento. Cardozo indicou que, se for necessário, Wagner pode se afastar temporariamente, sem renunciar, para preservar o governo.
O comentarista lembrou de episódio anterior envolvendo relógios na residência de Wagner, que na ocasião foram considerados de pouca expressão. Segundo ele, o parlamentar saiu ileso daquela apuração.
Comparação com o caso Ciro Nogueira
Ana Amélia afirmou que Wagner e Ciro Nogueira enfrentam situações similares do ponto de vista político. Segundo ela, ambos teriam atuado em benefício de Daniel Vorcaro, especialmente para ampliar o limite do Fundo Garantidor de Crédito.
Ela criticou o custo para a sociedade caso haja esse tipo de prática, sob a alegação de ganhos para o setor financeiro. Em relação aos valores encontrados com Wagner — 55 mil dólares e 30 mil euros —, Ana Amélia questionou a explicação de diárias não utilizadas.
Cardozo discordou, dizendo que diárias possuem natureza indenizatória e nem sempre precisam ser devolvidas. Ele destacou que, em comparação, o caso de Ciro Nogueira traz elementos adicionais, como pagamentos mensais e depósitos em empresas da família.
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