- A pesquisa mostra que 81,2% dos entrevistados são a favor de votar para escolher os administradores regionais do Distrito Federal.
- Ao todo, existem 35 regiões administrativas; a ideia é que o voto determine quem vai gerenciar cada uma.
- A pesquisa foi feita presencialmente entre 11 e 15 de junho, com 1.095 entrevistas e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RASC-SD0994.
- Hoje, os administradores regionais são nomeados pelo governador, sem participação direta da população e com viés político.
•Especialistas destacam que há demanda por participação popular, mas a implementação dependeria de reforma constitucional e definição de regras de candidatura, financiamento e poder entre governantes.
A pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política mostrou que a população do Distrito Federal quer escolher quem gerencia as administradoras regionais. 81,2% dos entrevistados apoiam votar para definir os gestores das 35 regiões administrativas do DF. O estudo ocorreu entre 11 e 15 de junho, com 1.095 entrevistas.
Atualmente, os administradores regionais são nomeados pelo governador, sem participação direta dos moradores nem eleição para ocupação dos cargos, apresentando um viés político na indicação.
O levantamento está registrado no TSE sob o número RASC-SD0994 e indica apoio expressivo à votação direta, embora especialistas ressaltem que a eleição, por si só, não resolve problemas estruturais da gestão.
Participação Popular
Especialistas destacam que há demanda por maior participação da população na escolha dos administradores, o que pode ampliar a representatividade local. A sociedade também aponta distanciamento entre comunidade e administração quando a indicação é política.
Há percepção de que muitos administradores não residem na região que administram, o que reforça a sensação de falta de vínculo com problemas locais. A eleição direta poderia aumentar a legitimidade dos gestores aos olhos da comunidade.
Uma proposta citada é o alinhamento entre governo e população, com a possibilidade de a população indicar nomes que o governador escolheria, tornando o processo mais transparente e participativo.
Legislação e Desafios
Analistas lembram que, em 2019, a CLDF aprovou uma proposta de eleição direta para administradores, mas o TJDFT a declarou inconstitucional, pois a iniciativa deveriam partir do Poder Executivo. A mudança envolve questões constitucionais e organizacionais.
Especialistas ressaltam que apenas escolher o administrador não resolve as limitações de autonomia. Seria preciso reformar a estrutura administrativa do DF, definindo poderes, responsabilidades e regras para financiamento, candidaturas e fiscalização.
Advogados ressaltam que a mudança exigiria regras claras sobre orçamento, atuação e relação com o governador. A implementação demanda ajustes constitucionais e organizacionais significativos, além de definição de calendário eleitoral.
Representatividade e dinâmica de poder
Especialista aponta que, hoje, a nomeação dos administradores funciona como moeda de negociação política entre Executivo e Legislativo. A eleição direta alteraria essa dinâmica, exigindo que o governo passe a legitimar políticas por meio de programas e orçamento, e não apenas por indicações.
Outra visão aponta que o administrador eleito ganharia legitimidade para cobrar demandas da comunidade, ao mesmo tempo em que o governo manteria o controle do orçamento e das grandes políticas públicas. A percepção sobre autonomia local aumentaria.
A comunidade acadêmica reforça que um administrador eleito fortaleceria a representatividade regional, desde que acompanhada de regras claras sobre poderes, atribuições e responsabilidades, para evitar conflitos entre setores e poluição de políticas públicas.
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