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Supremo prepara súmula para impedir pautas-bombas no Congresso

Supremo prepara súmula para barrar pautas-bomba no Congresso, com risco de despesas de até R$ 111 bilhões por ano sem compensações

Dario Durigan (C) é recebido pelo ministro Fachin: súmula poderá auxiliar o Executivo a conter gastos - (crédito: Luiz Silveira/STF)
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  • O ministro Gilmar Mendes apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma proposta de súmula vinculante para barrar leis que criem despesas obrigatórias sem estimativa de impacto financeiro.
  • A medida busca conter pautas-bomba no Congresso, cuja aprovação pode custar R$ 111 bilhões por ano aos cofres públicos.
  • Entre os temas monitorados está a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e geopolíticos, com impacto de R$ 140 bilhões em dez anos.
  • Também está em foco uma PEC que flexibiliza a aposentadoria de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, estimada em R$ 3 bilhões por ano (até R$ 30 bilhões em uma década).
  • O processo tramita com prazos: manifestações em cinco dias, parecer da Procuradoria-Geral da República, avaliação em comissão de jurisprudência em até quinze dias e votação no plenário virtual, para uniformizar decisões no Judiciário e na administração pública.

O Supremo Tribunal Federal prepara uma súmula vinculante para barrar a aprovação de leis que criem despesas obrigatórias ou benefícios fiscais sem estimativa de impacto financeiro. A iniciativa é encabeçada pelo ministro Gilmar Mendes e foi levada ao presidente da Corte, Edson Fachin.

A proposta busca frear as chamadas pautas-bomba no Congresso Nacional, que, segundo cálculos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, podem custar até 111 bilhões de reais por ano aos cofres públicos. O objetivo é exigir compensações financeiras antes de qualquer criação de despesa.

A urgência decorre do avanço de itens de alto impacto fiscal entre os parlamentares. Dentre eles, a renegociação de dívidas de produtores rurais atingidos por eventos climáticos e geopolíticos, estimada em 140 bilhões ao longo de dez anos, e uma PEC que flexibiliza a aposentadoria de agentes de saúde, com custo previsto de 3 bilhões anuais.

Compensações e base legal

A súmula proibiria leis que criem despesa ou renunciem receita sem indicar compensação, alinhada à Lei de Responsabilidade Fiscal. A base é o Artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estendendo-se a União, estados, DF e municípios.

A ideia é uniformizar entendimentos no Judiciário e na administração, conferindo celeridade jurídica e reduzindo ações sobre violações. A meta é facilitar questionamentos diretos ao STF por meio de reclamações.

Avanço institucional

A tramitação ganhou impulso após reunião entre Gilmar Mendes, Fachin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durigan afirmou preocupação com a sustentabilidade das contas públicas e destacou o papel técnico da súmula para vetar propostas sem devida compensação.

O ministro Edson Fachin autorizou o próximo rito processual, com cinco dias para manifestações, seguido de parecer da PGR. Em até 15 dias, a Comissão de Jurisprudência analisará o tema, composta por Mendes, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes. Depois, o plenário virtual decidirá o alcance da súmula.

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