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Táxi aéreo investigado por tráfico recebeu R$ 244 mil de campanhas

CNM Aviação, investigada por tráfico, recebeu R$ 244 mil em campanhas em 2022, majoritariamente do PSD de Minas e de Kalil; proprietária é irmã de líder do grupo

Hangar da CNM Aviação
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  • A CNM Aviação, táxi aéreo de Belo Horizonte, recebeu R$ 244 mil em campanhas eleitorais em 2022, com a maior parte vindo do PSD de Minas Gerais e também do deputado Eros Biondini.
  • A empresa é de Juliana Costa Nobre Magalhães, denunciada pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha; ela seria gerente-executiva do esquema chefiado por Karina Campos, conhecida como “Rainha do Pó”.
  • Juliana foi presa na operação Flight Level, que investiga a suposta quadrilha que enviava cocaína à Europa; o irmão dela, Leonardo Costa Nobre, é apontado como um dos líderes do grupo.
  • As notas fiscais mostram voos com os jatos Cessna Citation II e VII, mas a CNM não constava como operadora registrada na Agência Nacional de Aviação Civil; a operadora inscrita era a BHZ Táxi Aéreo Ltda., de São Luís.
  • No caso do PSD, foram 162 mil reais em uma nota para dois voos; Kalil recebeu 54 mil reais. Além disso, houve outros pagamentos a pessoas ligadas ao deputado Eros Biondini e à filha dele, Chiara Biondini.

Uma empresa de táxi aéreo de Belo Horizonte (MG) está sob investigação por ligações com o tráfico internacional de cocaína. A CNM Aviação recebeu, em 2022, R$ 244 mil em doações de campanhas, com destaque para o PSD de Minas Gerais e para o deputado federal Eros Biondini (PL).

Segundo apuração, Juliana Costa Nobre Magalhães, empresária e proprietária da CNM, era apontada pela Polícia Federal como gerente-executiva da organização criminosa associada a Karina Campos, apelidada de Rainha do Pó. Juliana foi denunciada em 2023 por formação de quadrilha; seu irmão, Leonardo Costa Nobre, é considerado líder do grupo.

A CNM Aviação foi aberta por Juliana em 2021, logo após a deflagração da operação Flight Level. O hangar utilizado hoje também já abrigava a BHZ Táxi Aéreo, ligada a Leonardo. Em 2020, o mesmo espaço foi apontado na apreensão de cocaína em Lisboa.

Dados fiscais e registros

Na campanha de 2022, a CNM recebeu R$ 162 mil da direção estadual do PSD de Minas e R$ 54 mil da campanha de Alexandre Kalil ao governo, ainda que Kalil hoje esteja no PDT. A CNM emitiu notas de R$ 14,7 mil para Eros Biondini e de R$ 14,1 mil para Chiara Biondini, deputada estadual.

As notas mencionam voos com dois jatos, o Cessna Citation II (prefixo PR-VIR) e o Cessna Citation VII (PR-JAP). Entretanto, a CNM nunca foi registrada como operadora ou proprietária dos modelos na Anac; a operadora registrada era a Heringer Táxi Aéreo Ltda., de São Luís (MA).

Entre os voos faturados pelo PSD, constam deslocamentos de Belo Horizonte (Pampulha) a Montes Claros e retorno em datas de 15 e 16 de setembro de 2022, totalizando distâncias de cerca de 700 km apenas em linha reta para esse trecho. O PSD pagou, porém, por 1.200 km na primeira contratação.

Em outra nota, o PSD pagou R$ 108 mil por dois voos: BH a Montes Claros e BH a Guapé (MG), somando 1.168 km em linha reta, com mínimo contratual de 1.200 km por decolagem. Assim, o total pago correspondeu a 2.400 km, mesmo com deslocamento menor.

A coluna acionou o PSD e o deputado Eros Biondini para comentários. O parlamentar não respondeu até o fechamento deste texto. O PSD afirmou ter contratado a CNM após avaliação criteriosa e não ter encontrado irregularidades.

Além disso, outro deputado federal mineiro, Fred Costa (PRD), arrendou uma aeronave à CNM em 2023 para uso particular, recebendo pagamentos por quilômetro voado, com prestação mensal mínima prevista.

As investigações indicam que Juliana Costa Nobre, dona da CNM, atuava na estrutura da quadrilha de Karina Campos, administrando a CNM Aviação e outros ativos sob a orientação de Leonardo e Andre de Jesus Eleutério, conforme apuração do MPF. O caso tramita na Justiça Federal de Minas Gerais.

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