- Ala do governo e do PT pressionam Jaques Wagner a deixar a liderança do governo no Senado após a nona fase da Operação Compliance Zero.
- A investigação envolve suspeitas de favorecimento ao Banco Master e a possível modificação de regras do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) no Congresso.
- Wagner teria sido convencido por aliados da Bahia de que permanecer no cargo pode aumentar o desgaste político, principalmente para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Há divisão interna no governo: uma ala defende resposta firme; outra, cautela para não prejudicar a campanha na Bahia, onde o senador mantém boa posição nas pesquisas.
- Lula avalia o cenário e pode buscar uma saída sem atribuir culpa direta; Tereza Leitão é cotada para substituí-lo caso haja saída, e há contatos para encontro entre eles.
A ala do governo federal e do PT intensificou a pressão pela saída do senador Jaques Wagner da liderança do governo no Senado após Wagner passar a entrar na mira da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A apuração é da analista de Política da CNN, Clarissa Oliveira.
A força-tarefa aponta suspeitas de favorecimento ao Banco Master, em troca de vantagens, incluindo possível atuação de Wagner para alterar regras do FGC no Congresso. Quem acompanha o caso diz que o petista foi pressionado por aliados próximos da Bahia neste fim de semana.
De acordo com apuração, Wagner resistia inicialmente, mas acabou convencido por apoiadores locais de que permanecer na liderança pode aumentar o desgaste político e afetar a campanha de reeleição de Lula. A decisão final ainda depende de confirmação pública.
A expectativa é de que Wagner comunique ao presidente Lula que deixará o cargo para focar na defesa das investigações envolvendo o Banco Master.
Divisão interna no governo
No Palácio do Planalto, a pressão gerou disputas entre alas que defendem uma resposta firme diante da operação e aquelas que defendem cautela, principalmente para não comprometer a campanha no estado da Bahia.
A avaliação interna aponta impactos distintos: enquanto alguns veem a necessidade de sinalizar firmeza, outros defendem preservar a aliança com a base baiana, onde Wagner tem atuação política relevante.
Clarissa Oliveira destacou que o movimento envolve fogo amigo dentro do PT, com correntes buscando ocupar a liderança do governo no Senado e influenciar decisões estratégicas do governo.
Cenário e próximos passos
Segundo aliados de Lula, o presidente não pretende afastar Wagner de forma abrupta, buscando preservar a relação de quase cinco décadas entre ambos. A ideia é que a saída ocorra sem atribuir diretamente a operação policial ao parlamentar.
Boatos apontam para uma saída com justificativa que preserve a presunção de inocência. Os dois costumam conversar por telefone; há expectativa de encontro presencial nos próximos dias, conforme agenda de Lula.
Caso Wagner confirme a saída, o PT avalia o nome de Teresa Leitão para assumir a liderança no Senado. Aliados dizem que Wagner está desconfortável com movimentos internos que o atribuem culpa antes da hora.
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