- Levantamento sobre 62 contas de militares ativos e inativos mostra queda de participação política nas redes entre 2021 e 2026; apenas sete perfis publicaram algo em 2026, todos na reserva.
- Entre 2018 e 2021 foram 1.258 publicações políticas, com 32 oficiais generais com contas em redes sociais e 22 com conteúdo político.
- Motivos apontados incluem aprendizado do uso das redes, desilusão com promessas anticorrupção e medidas disciplinares do Exército a partir de 2019.
- Em 2021 o Exército comunicou regras sobre uso de redes sociais; em 2024 publicou a Política de Ética Profissional e Liderança Militar, fortalecendo educação e valores para combater manipulações e polarização.
- Ainda segundo a análise, a intensa atuação da cadeia de comando e a necessidade de seguir normas legais para quem quiser agir politicamente contribuíram para a retração das postagens entre oficiais da ativa.
O fim da Onda Villas Bôas: levantamento mostra queda de atuação de militares ativos nas redes sociais. De 2018 a 2021, generais e coronéis da ativa formaram um movimento que criticava governos e cargos políticos, com publicações que apoiavam ou atacavam alinhamentos partidários. Hoje, apenas sete perfis de militares ativos mantêm publicações em redes sociais, todas desde a reserva. A mudança ocorre em meio a novas diretrizes do Exército para uso de redes.
O levantamento analisou 62 perfis políticos entre Twitter e Instagram, usados para influir no debate público. Nesse período, esses militares produziram 1.258 publicações políticas, o que equivalia a quase uma publicação por dia. O recorte indica queda abrupta de atividade entre 2022 e 2026, com as últimas publicações de ativos ocorrendo em 2024 de forma institucional ou nula desde 2025.
A Onda Villas Bôas ganhou o nome pelo fato de o então Comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, ter publicado um recado em 3 de abril de 2018, antes do julgamento do habeas corpus de Lula. Em seguida, outros generais da ativa passaram a apoiar colegas, fortalecendo a tendência de participação política nas redes. O movimento teve seu último fôlego em 2022, antes do segundo turno das eleições.
Mudanças institucionais e contexto atual
Dois vetores explicam a mudança: a atuação de comandos da Força Terrestre e a política de ética profissional. Em 2019, o Exército publicou normas para uso de redes sociais, e em 2021 a portaria 453 deixou claro que perfis pessoais dependiam do livre arbítrio, mas sujeitos ao regulamento disciplinar. Em 2024, o Exército divulgou a Política de Ética Profissional e de Liderança Militar 2024-2027, com foco em educação, valores e combate à manipulação informacional.
Sob a norma de 2024, o Exército reforçou que temas de ética e liderança são prioritários para a efetividade institucional. A cartilha orienta que o militar desenvolva pensamento crítico e filtre conteúdos, especialmente diante do ambiente informacional conturbado com o uso de inteligência artificial. Oficiais de alta patente afirmaram que manifestações políticas nas redes, incluindo contas abertas ou de reserva, devem seguir as regras legais e disciplinares.
Situação atual dos militares estudados
Entre os 62 perfis avaliados, 15 foram encerrados, 16 tiveram publicações excluídas ou suspensas e 23 seguem ativos sem publicações desde 2025. Dois oficiais faleceram, e um coronel que atuava como assessor de deputado também parou de publicar. Hoje, sete perfis de militares na reserva ainda publicam, e não há registros de ativas com conteúdo político em 2026.
A avaliação consultada pela coluna aponta que o fortalecimento do ethos militar, a coesão institucional e o controle disciplinar contribuíram para a mudança de comportamento. Um oficial indicou que a linha de comando tem reiterado que manifestações políticas em redes não serão toleradas, mesmo em usos restritos.
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