- O analista Thiago Vidal, da Perspectiva, diz que as condições estruturais da região ajudam a explicar a onda à direita na América Latina.
- Principais fatores: endividamento elevado, deterioração de serviços públicos (saúde e segurança) e falta de avanço de indicadores de desenvolvimento econômico como investimento e produtividade.
- Segundo Vidal, o movimento pró-direita pode ser mais breve se esses problemas persistirem; os ciclos políticos são cada vez mais curtos.
- Instituições continuam funcionando, mas passam por pressão constante em países como Brasil, Peru, Equador e Colômbia.
- Na Colômbia, ele afirma que o país não é El Salvador e que o uso da força não basta para segurança; há influência externa de Donald Trump, mas fatores domésticos são determinantes.
A configuração política da América Latina vem se inclineando cada vez mais para a direita, segundo avaliações de Thiago Vidal, diretor de análise política da Perspectiva. Em entrevista ao Hora H, ele aponta condições estruturais como motor desse movimento. Vidal ressalta que os ciclos políticos na região se tornaram mais curtos ao longo do tempo.
Para o analista, o que diferencia o momento atual é a gravidade dos problemas estruturais: endividamento elevado, deterioração de serviços públicos, especialmente saúde e segurança, e dificuldades para ampliar investimento e produtividade. Esses fatores, na visão dele, explicam a busca por soluções de curto prazo adotadas por lideranças.
Essa situação, segundo Vidal, pode encurtar a atual onda pró-direita caso não haja resolução dos gargalos. O analista afirma que a população tende a mudar de apoio conforme promessas não se convertem em melhorias concretas, mantendo o referencial de mudança conforme o desempenho dos governos.
Instituições sob pressão
O pesquisador avalia que o foco não deve ser apenas o funcionamento institucional, mas a maneira como ele é testado diante de crises recorrentes. Países como Brasil, Peru, Equador e Colômbia aparecem como exemplos da resistência institucional diante de tensões políticas.
Na Colômbia, o risco de instabilidade antes da eleição de Gustavo Petro foi citado como diferencial regional. Em contratos, houve receio de cláusulas associadas a instabilidade, o que não se concretizou. Assim, Vidal aponta que o país não está acostumado a oscilações políticas amplas.
Desafios para o cenário colombiano
Sobre o candidato de direita De La Espriella, visto como representante de uma posição mais radical, o analista afirma que a Colômbia tem uma geografia e uma população mais complexas do que El Salvador. A exata dimensão da violência não deve ser enfrentada apenas com ações de força.
Em relação ao papel dos Estados Unidos, Vidal reconhece que houve influência externa, mas enfatiza que fatores domésticos pesaram mais no resultado eleitoral. A Colômbia mantém histórico de parcerias diplomáticas e de defesa com os EUA, o que a diferencia de outros países da região.
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