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Derrota na Colômbia revela nova tática da esquerda para questionar urnas

Nova tática da esquerda na Colômbia usa contestações jurídicas da pré-contagem para atrasar a apuração e ampliar custos políticos da derrota

Gustavo Petro: presidente da Colômbia contesta o resultado das eleições e repete uma estratégia cada vez mais comum na esquerda latino-americana (Foto: EFE/Lenin Nolly)
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  • Petro afirmou que ainda é impossível saber quem é o presidente, com 99,8% das urnas apuradas, já que o candidato da direita, Abelardo de la Espriella, estava à frente por quase um ponto percentual.
  • O presidente repetiu uma tática de contestação jurídica após derrota nas urnas, prática comum entre a esquerda na América Latina para questionar a contagem.
  • Na Colômbia, o sistema eleitoral funciona em duas etapas: pré-contagem feita por empresas privadas e apuração oficial realizada por juízes, com intervalo entre o resultado preliminar e o oficial.
  • O episódio acompanha exemplos de Honduras e do Peru, onde houve disputas judiciais e acusações de manipulação, sem que haja comprovação de irregularidades graves, segundo observadores.
  • Nesta segunda-feira, Iván Cepeda anunciou pedido de impugnação de trinta e três mil mesas eleitorais; a apuração oficial deve terminar ainda hoje.

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, afirmou na noite de domingo que ainda não é possível saber quem será o presidente, com 99,8% das urnas apuradas. Abelardo de la Espriella, candidato da direita, liderava por margem mínima naquele momento.

Petro questiona o resultado, repetindo uma tática que já aparece em eleições de esquerda na América Latina: contestar a contagem por vias jurídicas após a divulgação de dados preliminares de pré-contagem. A estratégia busca transformar derrotas em disputas legais.

A Colômbia tem um sistema eleitoral com duas etapas: pré-contagem divulgada por empresas privadas e apuração oficial, feita por juízes. A distância entre resultados preliminares e oficiais cria espaço para contestações sem validade jurídica.

Contexto colombiano

A prática não é inédita para Petro. Em 2022, durante o segundo turno, o presidente questionou o sistema gerido por empresas privadas contratadas, mantendo a narrativa de desconfiança diante da elite política.

Nesta eleição, Petro mostrou desconfiança em relação à empresa local Thomas Greg & Sons, acusando supostos eleitores fantasmas no cadastro. Também mencionou suposta interferência externa no software de pré-contagem, sem apresentar provas.

Expansão regional da prática

O episódio segue exemplos recentes na região. Em Honduras, o LIBRE alegou golpe eleitoral e divulgou teorias de conspiração sobre interferências externas, embora o resultado só tenha sido oficializado 24 dias após a votação.

No Peru, a contagem do segundo turno gerou uma guerra de recursos, com acusações de irregularidades e influência do Congresso, apesar de observadores internacionais não terem encontrado falhas graves.

Dados e desdobramentos mais recentes

Nesta segunda-feira, Iván Cepeda anunciou a intenção de impugnar 33 mil mesas eleitorais com base em erros apontados por juristas do próprio partido. A apuração oficial visa concluir ainda hoje.

A estratégia de ampliar contestações judiciais busca manter o escrutínio elevado sobre o resultado, elevando o custo político da derrota e, possivelmente, forçando acordos que assegurem participação no governo ou legitimação do vencedor até as próximas eleições.

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