- 72% dos brasileiros apoiam uma legislação semelhante à australiana para restringir o uso de redes sociais por menores de 16 anos.
- 61,2% afirmam que a responsabilidade pela relação entre filhos e internet deve ficar principalmente com os pais.
- O estudo ouviu 1.011 adultos de todas as regiões, entre 1 e 16 de janeiro de 2026, realizado pela Market Analysis em parceria com o Family Talks.
- No Brasil, tramita o Projeto de Lei 1827/2026, que propõe restrições de acesso a menores de 16 anos; a pesquisa mostra apoio público à ideia.
- A pesquisa aponta uma contradição: grande parte reconhece a responsabilidade dos pais, mas também defende intervenção estatal; enfatiza a necessidade de capacitar famílias e alerta para riscos de vigilância e coleta de dados.
A pesquisa exclusiva da Market Analysis em parceria com o Family Talks mostra que 72% dos brasileiros apoiam a adoção, no Brasil, de uma legislação semelhante à australiana para restringir o uso de redes sociais por menores de 16 anos. Paralelamente, 61% afirmam que cabe às famílias decidir a relação entre filhos e internet.
O estudo ouviu 1.011 brasileiros adultos, em janeiro de 2026, nas cinco regiões e de todas as classes. A amostra foi estruturada por cotas de região, idade, sexo e classe social para representar diferentes perfis. O Family Talks atua desde 2017 em advocacy e pesquisa, com foco na atuação das famílias no debate público.
O levantamento aponta que 58,8% dos entrevistados veem mais prejuízo que benefício nas redes para crianças e adolescentes. Entre quem percebe dano, cresce o apoio a intervenções regulatórias. A pesquisa sugere que quem percebe impactos negativos na saúde mental e na rotina tende a favorecer medidas estatais, mesmo reconhecendo responsabilidades familiares.
Resultados e contexto
A avaliação mostra uma contradição aparente: famílias se veem responsáveis pela proteção online, mas pedem intervenção estatal para controlar o acesso. O diretor da Market Analysis ressalta que esse paradoxo revela dificuldades reais de lidar com a tecnologia no âmbito doméstico.
O estudo também contextualiza o cenário internacional. Na Austrália, cerca de 70% dos adultos apoiam a proibição para menores de 16 anos. Em 30 países, uma pesquisa da Ipsos de 2025 apontou média de 71% a favor de restrições para crianças abaixo de 14 anos. Na Europa e EUA, debates públicos seguem em andamento com variações de abordagem.
Debates e implicações
No Brasil, tramita o Projeto de Lei 1827/2026 na Câmara, que propõe restrições ao acesso de menores de 16 anos. A pesquisa indica que tal proposta encontra ressonância na opinião pública. O principal desafio é o equilíbrio entre proteção infantil e riscos de vigilância e coleta de dados de adultos.
O estudo destaca ainda os riscos de uma infraestrutura de controle que exige identificação de todos os adultos para bloquear o acesso a plataformas. Perguntas sobre quem guarda os dados, por quanto tempo e quais finalidades são levantadas como pontos centrais de debate, sem respostas simples.
Desafios para políticas públicas
Especialistas destacam a necessidade de capacitar digitalmente as famílias para acompanhar a vida online dos filhos. Diferençar privacidade de controle parental e compreender algoritmos de recomendação são habilidades que a pesquisa aponta como fundamentais. Sem isso, há o risco de transferência de responsabilidade para o Estado.
O consenso entre especialistas é claro: empresas têm responsabilidades, mas não existe solução única que substitua a atuação parental. Regulamentação pode coexistir com apoio institucional, educação e ferramentas de proteção, desde que não haja cedência de liberdades individuais.
O Brasil enfrenta o dilema: manter a autonomia familiar frente a um ambiente tecnológico cada vez mais complexo ou ampliar a intervenção pública para reduzir danos. A pesquisa sugere que a solução passa por educação, recursos e cooperação entre família, escola, governo e setor privado.
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