- O ministro decano Gilmar Mendes criticou Edson Fachin sobre a ideia de um código de conduta para ministros, dizendo que o momento de sua apresentação foi ruim e soou como aproveitamento e cortina de fumaça.
- A proposta foi apresentada em dezembro de 2025, ligando-se a menções a possíveis ligações entre ministros e o fundador do Banco Master.
- Mendes afirmou que, da forma como foi apresentada, a ideia não reuniria o colegiado e sugeriu que o tema fosse elaborado e discutido por uma comissão interna do tribunal.
- O decano ressaltou que o presidente tem a responsabilidade de conduzir o tribunal e perceber o momento adequado, especialmente porque o STF enfrentava um ambiente de ataque na ocasião.
- Fachin disse que pretende submeter a proposta de código de ética ao plenário assim que receber o texto da relatora, ministra Carmen Lúcia, prevista para ser entregue ainda neste ano.
O ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, voltou a criticar o presidente da corte, Edson Fachin, pela proposta de código de conduta para os ministros. Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, ele afirmou que o momento de apresentação da proposta foi ruim e soou como aproveitamento e cortina de fumaça. A fala ocorreu na noite desta segunda-feira, 22 de junho de 2026.
Mendes disse que a ideia, apresentada em dezembro de 2025, coincidiu com menções a possíveis ligações entre ministros e o fundador do Banco Master. Segundo o decano, a forma de apresentar a medida não uniu o colegiado e não favoreceu a aprovação. Ele defendeu que o tema seja discutido por uma comissão interna do STF.
Nova etapa no debate sobre ética
O ministro afirmou que o presidente tem a obrigação de conduzir o tribunal, mas avaliou que naquele momento o tribunal estava sob ataque. Mendes sugeriu que a proposta seja elaborada e debatida internamente, sem oportunismo estratégico.
Fachin afirmou, na sexta-feira passada, 19 de junho, que pretende submeter a proposta ao plenário assim que receber o texto da ministra Carmen Lúcia, relatora da medida. Carmen Lúcia deve entregar o relatório antes do fim do ano. O anúncio ocorreu durante o seminário A Justiça do Amanhã, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
Contexto e desdobramentos
O evento recebeu ingressos gratuitos com retirada antecipada, e o tema discutido envolve rumos do Judiciário. Mendes, que completou 24 anos no STF recentemente, costuma falar publicamente sobre temas sensíveis envolvendo os Três Poderes. Segundo o portal Poder360, ele concedeu 11 entrevistas a veículos em um intervalo de dois meses.
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