- O governo inclui estupro virtual, sextorsão e violência psicológica com uso de inteligência artificial no Ligue 180, ampliando os tipos de crimes registrados pela central.
- Nos primeiros cinco meses de dois mil e vinte e seis, a violência contra a mulher no ambiente digital subiu 188,6%, passando de 5.795 para 16.725 ocorrências; ao todo foram 2.281 denúncias envolvendo o digital.
- A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, disse que houve queda na subnotificação e que a coleta de dados é essencial para o enfrentamento da violência contra a mulher.
- Ela cobrou a aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia pela Câmara, afirmando que a proposta é estratégica para a pasta; o texto já foi aprovado pelo Senado e aguarda votação no plenário até julho.
- A atualização do Ligue 180 prevê capacitar atendentes para identificar crimes digitais, orientar vítimas sobre preservação de provas e solicitar a remoção de conteúdos, como parte da campanha O Digital é Nosso Lugar e em linha com decretos sobre redes sociais.
O governo federal incluiu no Ligue 180 a identificação de crimes digitais como estupro virtual, sextorsão e violência psicológica com uso de conteúdos criados por inteligência artificial. A atualização ocorreu após registro de aumento nos casos de violência contra a mulher pela central de atendimento.
Entre janeiro e maio de 2026, houve alta de 188,6% nos relatos de violência contra a mulher no ambiente digital, conforme levantamento do Ministério das Mulheres. As ocorrências passaram de 5.795 para 16.725, com 2.281 denúncias envolvendo o ambiente virtual. Uma única denúncia pode indicar mais de um tipo de crime.
Márcia Lopes, ministra das Mulheres, atribuiu o crescimento à redução da subnotificação e destacou a importância de dados para o enfrentamento. Ela criticou retrocessos no governo anterior e defendeu a aprovação do PL da misoginia, apontando a proteção às políticas públicas como objetivo central.
Medidas no Ligue 180 e próximos passos
A pasta informou que a atualização inclui treinamento das atendentes para registrar novos tipos de violência digital. Também orienta as vítimas sobre preservação de provas, como prints com data e hora, e como acionar plataformas para retirada de conteúdos.
Casos adicionados ao registro vão além do estupro virtual, incluindo invasão de contas, divulgação não consentida de imagens íntimas, doxxing e descumprimento de medidas protetivas via internet. A iniciativa faz parte da campanha O Digital é Nosso Lugar.
O texto da misoginia aguarda aprovação pela Câmara. A senadora Tabata Amaral e o presidente da Câmara, Hugo Motta, já receberam pautas para acelerar a análise. O Senado aprovou o projeto em março, e a expectativa é de votação até julho, após alinhamento entre as bancadas.
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