- A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner teve engajamento com pautas do Banco Master e chegou a marcar encontros com dirigentes do banco para tratar de projetos ligados a ele, entre 2022 e 2025.
- Em áudio divulgado pela PF, o senador afirmou que precisava conversar sobre o banco e também sobre as eleições municipais daquele ano, marcando reunião em Brasília com Augusto Lima.
- A PF associa esses contatos à tramitação de proposta no Senado que aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito e beneficiava o Master, ainda que Lima já tivesse deixado a liderança do banco.
- A investigação também envolve mensagens sobre compra de um apartamento de luxo em Salvador e pedidos de ingressos para shows da cantora Taylor Swift, com repasses de informações sobre o imóvel.
- As defesas negam atuação ou favorecimento: Wagner sustenta que não houve atuação em benefício do Master; Augusto Lima afirma ter atuado dentro da lei e com transparência.
Jaques Wagner, líder do governo no Senado, é alvo de investigação que envolve o Banco Master. A PF aponta que conversas entre Wagner e dirigentes do banco indicam engajamento com pautas de interesse do Master e a realização de encontros para tratar de projetos ligados à instituição. O material vem de celulares apreendidos na operação.
Dados da PF indicam que o senador manteve atuação parlamentar alinhada aos interesses econômicos do Master entre 2022 e 2025, período de ascensão da organização criminosa mencionada na apuração. A corporação afirma que esse padrão foi contínuo e documentado, não se tratando de ocorrências isoladas.
A defesa de Wagner afirma que jamais houve atuação, intermediação, negócio ou tratativa envolvendo projetos do Banco Master. O advogado do ex-sócio do Master sustenta que o empresário agiu dentro da lei, com transparência e observância às normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
O Estadão teve acesso exclusivo a trechos da investigação. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de recebimento de propinas por meio de um apartamento de 2,5 milhões de reais e de repasse de 3,5 milhões a uma empresa do enteado.
Em 25 de agosto de 2024, Augusto Lima procurou Wagner para marcar encontro. O senador respondeu por áudio que desejava conversar sobre o banco e também sobre as eleições municipais daquele ano. A mensagem foi registrada pela PF.
O empresário confirmou o encontro, indicando disponibilidade em Brasília. O roteiro de encontros incluiu reuniões no gabinete de Wagner e tratativas sobre emenda do FGC, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito e favoreceria o Master.
A PF sustenta que as conversas reforçam informações já detectadas em manifestos de Daniel Vorcaro, que também procurou Wagner para tratar do tema. A defesa contesta a leitura de que houve favorecimento, reiterando que o diálogo era de natureza pessoal.
Em relação a possíveis interesses imobiliários, a PF cita mensagens sobre a compra de um apartamento em Salvador e tickets para shows de Taylor Swift. A investigação aponta que o imóvel teria sido adquirido por meio de fundos de investimento e uma empresa de laranja, segundo apuração preliminar.
Versões em defesa
A defesa de Wagner nega qualquer atuação indevida e afirma que o parlamentar jamais atendeu a pleitos do Master. O texto afirma que os diálogos eram extrapartidários e não configuram negócios da instituição financeira.
A defesa de Augusto Lima, por sua vez, sustenta que as diligências da PF foram desnecessárias e que as ações investigadas seriam lícitas. O advogado informa que Lima permanece à disposição das autoridades para esclarecer os fatos.
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