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Ministro queniano declarado em desacato por centro de Ebola apoiado pelos EUA

Ministro da Saúde do Quênia é considerado em desacato por manter centro de quarentena para Ebola financiado pelos EUA, contrariando ordem judicial

Getty Images A head-and-shoulders image of Aden Duale. A white collar and dark suit can just be seen at the bottom of the picture.
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  • O ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, foi considerado culpado de desacato por ter autorizado a continuidade da construção de um centro de quarentena para Ebola financiado pelos EUA.
  • O Supremo havia, no mês passado, suspendido a construção do centro de isolamento com cinquenta leitos em uma base militar de Nanyuki, até que um caso movido por um grupo de direitos humanos fosse julgado.
  • Na segunda-feira, o tribunal informou que Duale ignorou a ordem e manteve as obras, e ele será sentenciado na terça-feira.
  • O centro é destinado a cidadãos norte‑americanos suspeitos de terem contraído Ebola na atual epidemia na República Democrática do Congo, e o projeto gerou protestos em Nanyuki, com três mortos.
  • O presidente William Ruto defendeu a iniciativa, dizendo ter recebido pedido dos EUA para o centro e que recusá-lo seria “inhumano”; o governo também recebe recursos dos EUA para a preparação contra Ebola.

O Ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, foi considerado em desacato ao tribunal por sua condução da construção de um centro de quarentena para Ebola financiado pelos EUA. O tribunal de primeira instância havia suspendido, no mês passado, a obra de um centro de isolamento com 50 leitos numa base militar em Nanyuki. Na segunda-feira, o juiz decidiu que o governo ignorou a ordem e autorizou a continuação do projeto. Duale terá uma sentença na terça-feira.

O centro pretende abrigar cidadãos americanos suspeitos de ter contraído Ebola durante o atual surto na República Democrática do Congo. O plano gerou fortes protestos em Nanyuki, a cerca de 140 km ao norte de Nairobi, com confrontos entre manifestantes e a polícia.

Três pessoas morreram durante as manifestações, entre elas o estudante Sylvester Muigai Ndung’u, de 17 anos, visto como futuro padre. Testemunhas disseram que ele foi atingido na cabeça; a polícia informou que aguardava resultados de necropsia para confirmar a causa da morte.

A intenção do governo é manter a construção sob interesse nacional, segundo a pasta da Saúde, que argumentou não ter desrespeitado a ordem judicial ao permitir apenas obras conduzidas pelo governo. A juíza Patricia Nyaundi afirmou que Duale sabia que a construção no local de Nanyuki deveria parar e que a ordem é um comando a ser obedecido.

O presidente William Ruto defendeu, recentemente, o projeto, afirmando ter recebido pedido dos EUA para estabelecer o centro e que recusá-lo seria desumano. Ele pediu ainda que a população não politicize o tema, considerado sério diante da Ebola.

A Organização Mundial da Saúde lista a República Democrática do Congo, atual epicentro, com mais de 1.000 casos confirmados, enquanto Uganda registra cerca de 20 casos, a maioria importados. O governo americano anunciou o compromisso de 13,5 milhões de dólares para auxílio à preparação contra a Ebola em Kenya, parte de um total de 112 milhões para a resposta regional.

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