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Pregador itinerante que ajudou a garantir a separação entre igreja e estado

Pregador itinerante John Leland impulsionou a separação entre igreja e estado na Virgínia, abrindo caminho para a liberdade religiosa

An engraving of John Leland in the 1800s by T. Doney.
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  • Em 1775, o pregador batista John Leland chegou à Virgínia como parte dos New Lights, buscando convertidos e desafiando normas anglicanas.
  • A perseguição aos batistas na Virgínia era intensa: prisões, multas, frequentemente meses de encarceramento, com autoridades locais tentando silenciá-los de várias formas.
  • A luta pela liberdade religiosa levou à Declaração de Direitos da Virgínia e à Lei de Estabelecimento da Liberdade Religiosa (1786), que abriu caminho para a separação entre Igreja e Estado, embora a igreja oficial ainda recebesse apoio público.
  • Leland influenciou Madison e a ratificação da Constituição, apoiando a inclusão de um Bill of Rights; a Primeira Emenda acabou integrada em 1791, limitando o poder do governo sobre a religião.
  • Nos anos seguintes, Leland manteve-se crítico à institucionalização do evangelicalismo; mudou-se para Massachusetts em 1792, tornou-se conhecido pelo “queijo mammoth” para Jefferson e morreu em 1841, aos oitenta e seis anos.

Iniciou-se em 1775, quando o pregador batista John Leland chegou à Virgínia, aos poucos se tornando figura central no movimento New Lights. O objetivo dele era converter fiéis, mas o movimento desafiava normas da Igreja da Inglaterra, igreja oficial no estado.

Os pregadores New Light, entre eles Leland, defendiam práticas que irritavam autoridades locais: batismo de mulheres sem consentimento, participação feminina em reuniões e pregação pública por mulheres. Também promoviam a liberdade de consciência para afrodescendentes.

A repressão aumentou conforme o crescimento batista no território. Minis­tros eram presos por pregar sem licença ou por perturbar a ordem pública, e alguns assinavam acordos para evitar evangelizar em condados específicos.

Em resposta, autoridades prisionais recorriam a táticas para silenciar os pregadores, como contratar músicos para abafar o som ou colocar pimenta nas portas para dispersar a multidão. Ao cair da noite, muitos já haviam sido encarcerados por meses.

Até a véspera da Revolução, estima-se que metade dos ministros batistas já tinha enfrentado prisão, muitas vezes em condições brutais. O domínio de Virginia sobre impostos e licenças dificultava uma prática religiosa sem interferência estatal.

Mudança de tema: No contexto da liberdade religiosa

A população escravizada na Virgínia representava cerca de 40%, com diversos credos coexistindo no interior. Comerciantes e colonos de Nova Inglaterra trouxeram fervor religioso que atraía multidões a partir de palanques improvisados em praças públicas.

A hostilidade não partia apenas de Londres. A elite local, ligada à Igreja Anglicana, usava cortes e a Câmara de Burgesses para conter o evangelicalismo, cobrando impostos para financiar ministérios anglicanos e exigindo licenças para igrejas dissidentes.

Essa pressão ajudou Leland a ver a causa da liberdade de consciência como parte da luta pela independência. Em 1776, com o impulso de diferentes colônias, surgiram perguntas sobre como reger a separação entre igreja e Estado em uma nova nação.

Desenvolvimento: caminhos da desestabilização da igreja estatal

Alguns estados aboliram igrejas financiadas pelo estado; outros mantiveram estruturas, mas permitiram designar doações. Em Virgínia, a Declaração de Direitos prometeu liberdade religiosa, porém sem dispor explicitamente sobre a Igreja Anglicana, que ainda recebia fundos públicos.

Leland defendeu que a liberdade verdadeira fosse maior que a tolerância. Em seus escritos, ele afirmava que a liberdade deve abranger todas as crenças, sem privilégios para nenhuma igreja.

A pressão dos evangélicos, somada a apoios de figuras como Jefferson e Madison, levou a concessões. A Câmara revogou impostos que favoreciam ministérios anglicanos e permitiu o casamento entre ministros de outras denominações, mas não chegou à disestabilização total da religião oficial.

Continuidade: avanços constitucionais e resistência

Em 1786, Virginia aprovou a Lei de Estabelecimento Religioso de Jefferson, precursor da Primeira Emenda, assegurando fé como direito natural, proibindo coerção religiosa. Leland, porém, buscava disestabelecimento completo.

Com o avanço de Madison no Federalist e Anti-Federalist embates, Leland influenciou votos que ajudaram Virginia a ratificar a nova Constituição. O objetivo era firmar um conjunto de direitos que limitassem o poder do governo federal.

No Congresso, Madison apresentou propostas para um bill of rights, e Virginia teve papel decisivo na ratificação das primeiras emendas, incorporadas à chamada Bill of Rights em 1791.

Conclusão: legado e dias seguintes

Leland seguiu lutando pela disestabelecimento pleno, mudando-se para Massachusetts em 1792, onde continuou defendendo a liberdade de consciência. Em 1802, Jefferson recebeu uma carta de autoridade sobre a separação entre Igreja e Estado, repetindo a ideia de muro que separa religião e governo.

A trajetória de Leland mostra como a separação entre igreja e estado ganhou força através de ações locais que repercutiram em uma moldura constitucional mais ampla. Ele faleceu em 1841, aos 86 anos, deixando um legado de defesa da liberdade religiosa que influenciou gerações.

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