- O referendo que definiu o Brexit completa dez anos na terça-feira, 23 de junho de 2026, em meio a uma nova crise política no Reino Unido.
- Após a vitória trabalhista de 2024, Keir Starmer enfrenta disputa interna, com Andy Burnham cotado para o premiê e visto como capaz de conter a ascensão de Nigel Farage, líder do Reform UK.
- Pesquisas indicam mudança de humor: Ipsos aponta quase sessenta por cento a favor de um novo referendo; entre os escoceses, insatisfação com o Brexit chega a setenta e cinco por cento.
- Imigração continua em pauta: o país manteve fluxos migratórios, com recrutamento internacional em universidades e serviços públicos, além de travessias perigosas de migrantes pelo Canal da Mancha.
- Economia não caiu em recessão, mas ficou mais pobre; o Banco Central da Inglaterra estima queda de cerca de seis por cento, e investimentos recuaram cerca de dezoito por cento; o Reino Unido segue dependendo da União Europeia para o comércio, apesar de acordos com Índia, Austrália e Nova Zelândia.
O referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia completa dez anos nesta terça-feira, 23 de junho. O país vive uma crise política com renúncias e mudanças de governo, mantendo-se em um cenário de instabilidade após seis primeiros-ministros desde 2016.
A vitória do Brexit impulsionou uma revolta interna com consequências prolongadas. Em 2024, os trabalhistas retomaram o poder com a promessa de devolver a normalidade, mas o governo enfrenta críticas internas e a ameaça de um avanço da oposição liderada por figuras como Nigel Farage.
Keir Starmer, hoje um dos nomes mais impopulares da política britânica, vê a possibilidade de renovação no Partido Trabalhista. Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, é apontado como possível substituto e como alguém capaz de conter a ascensão de Farage e do Reform UK.
Imigração
Antes do Brexit, o fluxo de europeus para o Reino Unido aumentou. Com o fim da livre circulação, o movimento migratório permaneceu relevante, incluindo estudantes internacionais e trabalhadores para serviços públicos. A situação se complica com comunidades migratórias de fora da Europa.
O governo endureceu regras de imigração, restringindo entradas, mas ainda depende de mão de obra estrangeira para saúde e educação. Além disso, recebimentos humanitários a ucranianos e cidadãos de Hong Kong seguiram ocorrendo, ainda que fora do eixo Brexit.
A trajetória migratória alimenta a pressão política, fortalecendo a chamada pela Reforma UK, que ganha força entre parte dos eleitores descontentes com as políticas de imigração.
Economia
A conjuntura econômica após o Brexit traz impactos contínuos. O Banco Central da Inglaterra aponta redução de cerca de 6% na atividade e queda de investimentos na ordem de 18%. A UE permanece como principal parceiro comercial, mas com barreiras e regulações mais rígidas.
O país buscou acordos com Índia, Austrália e Nova Zelândia para contornar perdas de dinamismo com a Europa. Mesmo assim, o resultado não compensou completamente a redução de dinamismo no comércio com vizinhos europeus.
Política e perspectivas
Durante a campanha de 2024, o tema Brexit recebeu tratamento cauteloso por parte de Starmer, que tentava equilibrar setores que apoiaram a saída. Com a ascensão de partidos como Reform UK, houve recuos em propostas de imigração, gerando críticas de eleitorado trabalhista.
Caso Burnham assuma o comando, a agenda migratória pode mudar. A expectativa é por uma aproximação com a Europa, com foco em acordos sanitários e mobilidade para jovens entre Reino Unido e União Europeia. Uma cúpula pública marcada para 22 de julho deve tratar dessas questões.
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