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Mortes de PC Farias e Suzana completam 30 anos com processo encerrado e memória em disputa

Caso PC Farias e Suzana completa trinta anos com processo encerrado sem condenados, memória em disputa e novo capítulo jurídico

Assassinato de PC Farias completa 30 anos sem solução — Foto: Andre Dusek/AE- 9/6/1992
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  • Em 23 de junho de 1996, Paulo César Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos em Maceió, no mesmo imóvel à beira da praia de Guaxuma.
  • O caso foi considerado, inicialmente, como crime passional, mas depois apontou para duplo homicídio; o inquérito foi reaberto e reavaliado ao longo dos anos.
  • O julgamento, em 2013, absolveu quatro seguranças por clemência, mantendo dúvidas sobre quem matou PC Farias e Suzana; o STF só reconheceu, em 2024, que é possível recorrer de absolvições sem fundamentação.
  • O processo foi definitivamente encerrado em abril de 2019, quando o Tribunal de Justiça de Alagoas negou a última apelação para rever a absolvição dos réus.
  • O caso permanece como memória em disputa na história política brasileira, ligado aos escândalos do governo de Fernando Collor de Mello.

O caso que ceifou a vida de Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, e de Suzana Marcolino chega aos 30 anos com o desfecho judicial encerrado. Em 23 de junho de 1996, eles foram encontrados mortos na casa da praia de Guaxuma, em Maceió, sob circunstâncias controvertidas.

PC Farias era figura de destaque nos bastidores políticos e econômicos do governo Collor. Tesoureiro da campanha de 1989, manteve influência durante o mandato e ficou associado aos escândalos que levaram ao impeachment de Collor em 1992. Na época, tinha 50 anos e Suzana, 28.

O inquérito mudou de rumo ao longo dos anos. Inicialmente apontou crime passional, com Susana acusada de atirar contra PC e suicidar-se. Perícias contestadas questionaram a versão, principalmente quanto à estatura de Suzana e à trajetória da suposta bala.

Desvios e reaberturas

Relatórios posteriores indicaram que tanto PC como Suzana teriam sido alvo de homicídio, com indícios de luta na residência. Em 1999, o caso foi reaberto e novas avaliações sugeriram participação de terceiros, incluindo figuras ligadas à família de PC Farias.

O julgamento estudado pelo Ministério Público ocorreu apenas em 2013, envolvendo quatro seguranças da residência. O veredito reconheceu o duplo homicídio, mas absolveu os seguranças por clemência, sem esclarecer o autor do crime. Não houve condenação.

Encerramento processual

Na sequência, surgiram questionamentos sobre irregularidades do júri, como alegações de pressão sobre familiares e problemas de incomunicabilidade entre os jurados. Em 2019, o Tribunal de Justiça de Alagoas manteve a absolvição, encerrando o processo.

Em 2024, o Supremo Tribunal Federal abriu a possibilidade de recurso contra decisões de júri que absolveram sem fundamentação, desde que haja contradição com as provas. Ainda assim, não houve nova responsabilização no caso específico.

Memória, repercussão e produção audiovisual

O caso segue gerando debates entre profissionais de polícia e direito, além de despertar interesse de produções audiovisuais sobre o período Collor. O documentário Morcego Negro, lançado em 2023, aborda a trajetória de Suzana e as hipóteses envolvendo o crime. Um filme sobre PC Farias também está em produção, com nomes de peso da televisão e cinema brasileiro.

A memória do episódio permanece polêmica. A família de Suzana destaca a continuidade da desumanização da vítima e a ausência de punição para os responsáveis, enquanto defensores da apuração ressaltam aprendizados para aperfeiçoar investigações e proteção de testemunhas.

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