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Bolsonaro não afasta ministro em ação sobre perda de patente no STM

STM rejeita recurso de Bolsonaro e mantém brigadeiro Camelo no julgamento que pode expulsá-lo das Forças Armadas

Ex-presidente Bolsonaro, em prisão domiciliar, ainda vai ser julgado pelo STM (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
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  • O Superior Tribunal Militar rejeitou nesta quarta-feira, 24, o recurso de Jair Bolsonaro para afastar o brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo da participação no julgamento que pode afastá-lo da patente militar.
  • A defesa alegou imparcialidade do ministro, que atua como vice-presidente do STM, mas o plenário manteve a decisão da presidente do tribunal, Maria Elizabeth Rocha, que já havia negado a suspeição.
  • O processo pode resultar na perda da patente de capitão, mantida por Bolsonaro desde a passagem para a reserva, em consequência de sua condenação criminal a vinte e sete anos e três meses por envolvimento em complô golpista.
  • A Constituição prevê, no artigo cento e quarenta e dois, que militares condenados a penas privativas de liberdade superiores a dois anos devem ser julgados pela Justiça Militar para avaliar indignidade ao oficialato; o STM decide os efeitos estatutários, não apenas penais.
  • A defesa peticionou a suspeição do ministro citando declarações públicas sobre os atos de oito de janeiro de 2023; o STM não reconheceu a hipótese legal de suspeição.

O Superior Tribunal Militar (STM) rejeitou nesta quarta-feira, 24, o recurso apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para afastar o brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo da participação no julgamento que pode resultar na perda de sua patente militar. A defesa alegou que Camelo não seria imparcial.

A decisão confirma o parecer já emitido pela ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do STM, que havia negado o pedido anteriormente. Com isso, o julgamento deve seguir normalmente no tribunal.

Bolsonaro está em prisão domiciliar e corre o risco de perder a patente de capitão, mantida desde a entrada na reserva do Exército. A condenação criminal de 27 anos e 3 meses, no âmbito de uma trama golpista, está integrada ao cenário do caso.

Na prática, a condenação pode levar à expulsão das Forças Armadas. A Constituição prevê que militares condenados a penas acima de dois anos sejam submetidos a novo julgamento na Justiça Militar para avaliar a indignidade para o oficialato, regra aplicável a oficiais da ativa e da reserva.

A decisão sobre a eventual perda da patente depende da avaliação do STM, em caráter ético, para verificar se a condenação penal violou também o Estatuto dos Militares. O objetivo é aferir se o militar continua apto a preservar a honra e o decoro da carreira.

A defesa de Bolsonaro chegou a pleitear a suspeição de Camelo, alegando que o brigadeiro já se manifestou publicamente sobre atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O STM, no entanto, não reconheceu a condição de suspeito.

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