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Dinâmicas afetivas explicam a polarização política no Brasil

Polarização afetiva aumenta, mas maior parte rejeita o adversário; a política torna-se mais negativa e menos propensa a vias mediadoras

.Polarização afetiva significa gostar de um campo político e rejeitar intensamente o outro. Mas nem toda negatividade se converte em adesão - (crédito: Caio Gomez/CB/D.A Press)
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  • Em 2006, estudo com 2.400 entrevistas avaliou sentimentos por Lula e Geraldo Alckmin; em 2026, estudo com 1.500 avaliou Lula e Bolsonaro.
  • Foram considerados sentimentos positivos (entusiasmo, esperança, orgulho) e negativos (raiva, medo, decepção).
  • A parcela que combina adesão positiva a um campo com rejeição ao adversário subiu de 19% para 31%; 69% não exibem polarização afetiva estrita.
  • A parcela que rejeita um lado sem aderir ao outro subiu de 6% para 19%; adesão positiva sem rejeição caiu de 32% para 16%; ambivalência caiu de 29% para 10%.
  • Indiferença subiu de 12% para 19%; dupla rejeição subiu de 2% para 5%. Conclusão: a política ficou mais negativa, expandiu-se a experiência negativa e pode impactar a democracia.

O estudo da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) revela mudanças importantes na relação dos brasileiros com a política, além da simples polarização entre campos rivais. Ele aponta uma expansão da política como experiência negativa no país.

Entre 2006 e maio de 2026, houve queda de 19% para 31% na parcela de eleitores que combina adesão positiva a um campo com rejeição ao adversário. Ainda assim, 69% não se encaixam nessa polarização estrita, indicando diversidade de posições.

O levantamento comparou dois momentos: 2006, com Lula e Alckmin, e 2026, com Lula e Bolsonaro. Em ambos, foram avaliados sentimentos positivos (entusiasmo, esperança) e negativos (raiva, medo, decepção). O tamanho das amostras foi de 2.400 e 1.500 entrevistas, respectivamente.

O que mudou

A participação de eleitores que rejeitam um lado sem aderir ao outro subiu de 6% para 19%. A política passou a ser mais movida por recusas do que por adesões a projetos. A negatividade organizou a percepção política, ainda sem identificação forte com o campo oposto.

Outros padrões

A parcela de quem gosta de um campo sem rejeitar o outro caiu de 32% para 16%. A ambivalência também recuou, de 29% para 10%, sinalizando menos zonas cinzentas na avaliação política dos brasileiros.

A indiferença aumentou de 12% para 19%, enquanto a dupla rejeição permaneceu em torno de 5%. Esses dados indicam que o eleitorado ficou mais reativo, frio ou desmobilizado em certos segmentos.

Implicações para a democracia

A negativa afetiva não é, por si só, um problema. Democracias precisam de esperança e pertencimento. O risco aparece quando a emoção dominante é a hostilidade ao outro, gerando veto, medo e ressentimento permanentes.

Significado para o cenário brasileiro

A imagem de dois blocos simétricos não basta para entender o momento político. Campos dominantes existem, mas ao redor deles há distintas orientações afetivas: engajados, reativos, indiferentes, ambivalentes e rejeitantes de todos os lados.

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